A Riqueza das Nações - Adam Smith

Português

A riqueza das nações (1776), de Adam Smith (1723-1760), é considerada a

obra de referência do liberalismo econômico e um marco na constituição de

uma nova ciência, a economia política. Embora ainda no século XVIII

diversas edições tenham sido publicadas na Inglaterra e em outros países, a

consagração do trabalho deveu-se ao modo como foi divulgado e

interpretado nos séculos XIX e XX.

No que se refere à constituição de uma nova ciência, é preciso lembrar

que os debates em torno de temas econômicos — juros, preço, câmbio,

população — haviam adquirido uma extensão considerável já no século

XVII. Na Inglaterra, nos cento e cinquenta anos anteriores à publicação de

A riqueza das nações, um sem-número de autores — Thomas Mun (1628),

William Petty (1660-1680), Josiah Child (1690), Dudley North (1691),

Nicholas Barbon (1690), John Locke (1692), Gregory King (1690), Charles

Davenant (1700), John Law (1705), David Hume (1750), Joseph Harris

(1758), James Steuart (1767)

1 — divulgou panfletos e tratados econômicos

de ampla repercussão. Na França, os fisiocratas — Cantillon (1755),

Mirabeau (1760), François Quesnay (1760), Turgot (1766)

2 — eram

amplamente reconhecidos como economistas no período 1755-1770. Na

Itália, quando Ferdinando Galiani escreveu Da moeda (1751), Geminiano

Montanari havia já publicado Tratado mercantil sobre a moeda (1680), e

Bernardo Davanzati, seus escritos sobre câmbio e moeda (1582-1588). Em

suma, o debate sobre temas econômicos e a identificação de novas formas

de investigação em torno de um objeto comum ganhavam corpo com a

ampliação das relações mercantis. O próprio curso de Smith sobre

Jurisprudência, ministrado em Glasgow nos entornos de 1760, na tradição

de seus antecessores, incluía temas econômicos.

3

Mostrar mais