Memórias Postumas de Brás Cubas - PDF
Apresentação da coleção
Em uma obra tão atemporal quanto a sua temática, Italo
Calvino define um clássico como um livro que nunca terminou
de dizer aquilo que tinha para dizer. Implicitamente, podemos
reconhecer nessa caracterização a ideia de que o texto clássico
nunca deixou de encontrar olhos e ouvidos dispostos a atualizar o que ele tinha para oferecer. Na diacronia de sua própria
transcendência, o clássico sempre alcançou sentidos humanos
em busca dos mesmos novos sentidos. O leitor – essa projeção
alocada sempre nos limites do virtual e do empírico – divide seu
olhar entre a urgência das questões do seu tempo presente e a
perenidade das lições e das sensações do passado, de modo a
(re)construir as significações de obras ininterruptamente contemporâneas. A leitura de um clássico é sempre uma apropriação
anacrônica do que precisamos lembrar e do que almejamos
descobrir. Nesse sentido, não apenas a identidade dos leitores
