A Chama da Vida
Tomas Kellwyn completou onze anos num povoado costeiro onde o mar tem voz de velho e as notícias chegam encharcadas de sal. Órfão criado entre o trapiche e o moinho das montanhas, ele tem três regras de sobrevivência: não perguntar demais, não chamar atenção e nunca, jamais, guardar uma carta consigo depois de queimá-la.
É justamente a nona carta que quebra a nona regra. Naquela noite, o fogo não a consumiu por inteiro — e uma palavra inteira sobreviveu às chamas, girando na brasa como um aviso. A partir dali, Tomas passa a enxergar aquilo que o povoado fingia não ver: a fumaça reta demais para ser fogo de cozinha, os ferrolhos de uma casa que decide sozinha quem entra, e Osgar, o velho que varre o trapiche, observando-o com olhos de quem já soube a resposta antes da pergunta.
Quando o eclipse escurece o céu sobre a costa, Tomas descobre que as cartas queimadas eram apenas a borda de um segredo muito maior: o legado de Kaelen, um cofre de nomes e faíscas que alguém em algum lugar está disposto a tudo para reabrir. A caminho da cidadela de Vhoryn, ele encontra Bellen, um companheiro de estrada que coleciona desculpas boas e verdadeiras, e aprende que a amizade também é uma forma de coragem.
