A mão que carpe o dia

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Alexandre Morais, em seu segundo livro, A mão que carpe o dia, não faz poesia sobre a vida, mas sim poesia que nasce de uma necessidade vívida, por saber que a vida, justamente por ser o mais importante, não basta, que ela é tudo para o verso, mas que, sem o verso, ela não é nada. É este anseio, esta inquietude, e a tarefa infinita de achar a forma de dizê-la, que lemos nessas páginas e que sentimos ao tocá-las; não apenas ao lê-las, de fato, pois o livro de Alexandre, como o leitor facilmente poderá constatar, é um livro que deve ser tanto lido como tocado, experimentado.

Trata-se de uma formidável mistura de verso e prosa, da necessidade de carpir este verso para que se chegue, enfim, ao final de uma cópula que não sabemos se é combate ou amor sexual—instante onde ambos se misturam—finalmente, a um verso vivo, então: vemos aqui o nascimento de um poeta.

Este livro de Alexandre não é uma coleção de poemas, mas uma obra, e é como tal que ela não apenas convida, mas suga, o leitor. Porque nela assistimos não a alguém que faz poesia, mas a um poeta recém-nascido, recém-carpido, com as dores e as alegrias de qualquer parto. Que o leitor esteja atento, então — é desta explosão que encontramos nos nascimentos que se trata, aqui. Eis aqui, em suas mãos, leitor, o poeta recém-parido, neste verdadeiro livro feito de carne e osso, de vértebras e vísceras, mas também de pensamento e verdade, que é A mão que carpe o dia.

(Pedro Sobrino Laureano, Dr. Prof.: Psicanalista)

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