A síndrome da escolhida
"Não basta ser escolhida. É necessário ser assumida socialmente como supostamente única e exclusiva numa instituição casal."
Essa é a promessa central do amor romântico feminino: a ideia de que a felicidade plena só é alcançada quando uma mulher é publicamente reconhecida como a "única". Mas por que essa necessidade de validação externa se torna um pilar da identidade feminina? Como essa lógica sustenta não apenas a vulnerabilidade das mulheres nos relacionamentos, mas também a própria estrutura da monogamia?
Em "A Síndrome da Escolhida", Adriana Ventura revela como os papéis patriarcais de gênero moldam a forma como mulheres vivem o amor e se percebem dentro das relações. Desde cedo, somos condicionadas a buscar reconhecimento no olhar masculino, a medir nosso valor pelo desejo e compromisso do outro, e a enxergar a monogamia como prova de pertencimento e segurança. No entanto, essa mesma construção nos coloca em posições de dependência emocional, econômica e social, tornando-nos mais vulneráveis à anulação, ao controle e à violência.
Através de uma abordagem crítica e feminista anticolonial, a autora desmonta os pilares que sustentam essa dinâmica, expondo como a monogamia não é apenas um regime afetivo, mas uma estrutura política que reforça desigualdades de poder. O medo de não ser "escolhida", ou pior, de ser substituída, nos mantém presas a relações que muitas vezes nos diminuem e nos fazem duvidar da nossa própria potência.
Com reflexões instigantes e exemplos concretos, "A Síndrome da Escolhida" convida as leitoras a questionarem as amarras invisíveis que fazem do amor uma armadilha e a enxergarem suas relações a partir de um novo lugar: o da liberdade, do autoconhecimento e da autonomia. Mais do que um livro, este é um manifesto para mulheres que desejam romper com o mito da "única" e construir relações baseadas em escolhas reais, e não em imposições sociais.
