As comidas do arraiá pra matar a saudade do São João — onde quer que você esteja quando junho chegar
S Ã O J O Ã O D O C O R A Ç Ã O
Festa Junina
em Qualquer
Lugar do Mundo
o fogo de chão de
Seu Juvenal, o Rei do Arraiá
Ô de casa,
chegou junho!
Tem mês que é só mês. E tem junho. Pra quem é do Nordeste, junho
não passa no calendário — ele chega cheirando a fogueira, milho
assado e canjica fervendo no fogão.
u sou Juvenal, sanfoneiro de carteira assinada com São Pedro e cozinheiro de
fogo de chão por vocação. A vida inteira foi assim: de dia eu armava o arraiá,
à noite eu puxava o forró, e no meio disso tudo tinha sempre uma panela de
mungunzá no fogo e o cheiro de canjica tomando conta do terreiro. São João não é
festa pra mim — é o ano inteiro esperando esse mês.
Mas eu aprendi uma coisa triste com o tempo: tem muita gente nossa espalhada
pelo mundo que, quando junho chega, sente um aperto. Lá fora não tem fogueira no
quintal, não tem quadrilha na praça, não tem barraca de pamonha na esquina. O
São João vira uma saudade que não tem onde caber.
Foi por isso que eu juntei nesse livro as comidas do arraiá. Porque mesmo longe,
você pode fechar os olhos, fazer uma canjica, sentir o cheiro tomar a cozinha — e
por uns instantes, você volta pro terreiro. A festa pode ser pequena, só você e sua
gente, mas o sabor é o mesmo de sempre.
