BIOQUÍMICA CLÍNICA (aplicado a medicina integrativa)
A Bioquímica Clínica na visão integrativa busca interpretar exames laboratoriais não apenas como “normal” ou “alterado”, mas dentro de um contexto funcional, metabólico, hormonal, inflamatório, nutricional e comportamental do indivíduo.
A proposta é correlacionar sinais, sintomas, estilo de vida, composição corporal, sono, estresse, microbiota, nutrição e desempenho fisiológico com marcadores bioquímicos. O foco deixa de ser apenas diagnosticar doença estabelecida e passa também a identificar disfunções precoces, perda de reserva fisiológica e alterações adaptativas.
Alguns pilares frequentemente analisados:
* Metabolismo glicídico: glicemia, insulina, HOMA-IR, hemoglobina glicada, peptídeo C.
* Inflamação e imunometabolismo: PCR-us, ferritina, homocisteína, relação neutrófilo/linfócito.
* Função mitocondrial e energética: lactato, piruvato, magnésio, perfil vitamínico e cofatores.
* Estresse oxidativo: glutationa, ácido úrico, enzimas antioxidantes.
* Eixo neuroendócrino: cortisol, DHEA, testosterona, IGF-1, hormônios tireoidianos.
* Saúde hepática e detoxificação: GGT, ALT, AST, bilirrubinas, albumina.
* Composição nutricional funcional: ferro, B12, folato, vitamina D, zinco, cobre.
* Saúde intestinal e permeabilidade: interpretação clínica associada a sintomas gastrointestinais, imunidade e inflamação sistêmica.
Um dos conceitos centrais é entender que “valor de referência” não significa necessariamente “valor ideal”. Um paciente pode apresentar exames dentro da faixa laboratorial e ainda assim ter fadiga, baixa performance cognitiva, sarcopenia, resistência insulínica inicial ou disfunção neuroendócrina.
Ao mesmo tempo, existe um cuidado importante: a abordagem integrativa precisa manter base científica sólida. Muitos profissionais extrapolam interpretações laboratoriais, criam diagnósticos sem validação ou transformam adaptações fisiológicas em “doenças ocultas”. O risco é gerar medicalização excessiva, suplementação desnecessária e ansiedade no paciente.
