Como investir em dólar - ebook completo

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PORQUE INVESTIR EM DÓLAR E NO EXTERIOR

O rendimento do CDI brasileiro nos últimos dez anos, acumulando 142% em termos nominais, tem sido frequentemente apresentado como prova da robustez da renda fixa nacional. Em uma primeira leitura, o número impressiona e sugere que o investidor conservador teria sido amplamente recompensado pelo simples fato de permanecer no mercado doméstico. Entretanto, basta um olhar técnico e desapaixonado para perceber o quanto essa trajetória esconde armadilhas e limitações que, ao final, colocam o investidor brasileiro em desvantagem estrutural frente ao cenário internacional.

CDI X IPCA X DÓLAR – “TÔ RICO. TÔ POBRE"

A cena clássica e hilária do “Estou cansado dessa agonia de ficar rico, ficar pobre, ficar rico, ficar pobre” do João Grilo, no emblemático filme “O Alto da Compadecida” do saudoso Ariano Suassuna, resume bem o que é investir apenas no Brasil, principalmente quando focamos apenas na renda fixa.

Quando descontada a inflação acumulada, a rentabilidade real do CDI cai para apenas 38% no período – menos de 4% ao ano. Convertido para o dólar, esse retorno se reduz a meros 4% em uma década. Ou seja, toda a exuberância dos juros altos nacionais é, na prática, drenada pelo próprio custo Brasil: inflação persistente, desvalorizações cambiais recorrentes e uma taxa de juros que revela mais as mazelas fiscais do país do que qualquer virtude econômica.

Em síntese, o retorno do CDI nos últimos dez anos ilustra tanto a resiliência do investidor brasileiro quanto as limitações de uma estratégia centrada no mercado doméstico. Em um mundo onde o capital flui rapidamente para onde encontra melhor risco/retorno, quem permanece inerte corre o risco de se tornar irrelevante. Até porque, se o seu dinheiro falar apenas “real" ele vai ficar cada vez mais burro, mais pobre e desvalorizado!

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