Dessensibilização e Escuta: A expansão da “indiferença” e os riscos para a prática psicanalítica
Olá!
A indiferença parece estar deixando de ser apenas um traço ocasional de "frieza". Nos tempos atuais, parece estar se tornando algo que estrutura o modo de viver muitos indivíduos, cada vez menos afetados pelo sofrimento do outro.
E a expansão desta indiferença nos permite pensar que o crescimento de quadros clínicos como a depressão, os estados maníacos e eufóricos, as normoses, os estados apáticos e de ausência de sentido na vida, as intensas crises de pânico e angústia, os desmoronamentos através do burnout, a cristalização de delírios persecutórios, as personalidades borderline, dentre outros, não são meros efeitos colaterais, mas sim a própria condição de funcionamento de uma sociedade e de uma economia como a que vivemos.
E como fica a escuta analítica em meio a esta fortíssima intrusão ambiental sobre os indivíduos? Quais os riscos que nós, profissionais de psicologia e psicanálise, enfrentamos com a expansão da indiferença? Como proteger nossa capacidade de realmente escutar a angústia de nossos pacientes? Como anda a sua disponibilidade para a escuta analítica?
Nestas duas aulas convido você a refletir sobre este tema que se mostra muito importante para que possamos continuar cumprindo nossos objetivos em nossa prática psicanalítica.
Como material complementar deixo uma aula com comentários sobre o intenso e perturbador conto "Pai Contra Mãe", de Machado de Assis, publicado em 1906.
Um bom estudo a você.
Henrique Silva
