DISPENSACIONALISMO: ENTRE ERAS E O ESPÍRITO

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Escrever e pensar sobre a história da teologia exige, antes de tudo, coragem para encarar as costuras humanas que tentam organizar o mistério divino. O livro que o leitor tem em mãos não nasce do desejo de atacar ou de venerar cegamente um sistema religioso, mas sim da necessidade urgente de compreender as engrenagens históricas que moldaram a maior força evangélica do hemisfério sul: o pentecostalismo brasileiro.

Durante séculos, a Igreja debateu-se entre a rigidez do intelecto e o calor da experiência viva. Na virada do século dezenove para o século vinte, esse embate ganhou contornos dramáticos. Como este trabalho demonstra de forma minuciosa, os pioneiros do avivamento moderno operaram uma das maiores e mais intrigantes engenharias doutrinárias da história eclesiástica. Eles se apropriaram de um mapa cronológico rígido, o dispensacionalismo, desenhado por homens de mentes brilhantes, mas que criam que o fogo do Espírito Santo pertencia exclusivamente ao passado. Com a precisão de cirurgiões teológicos, os pentecostais clássicos arrancaram o pessimismo desse sistema humano e inseriram nele a promessa profética da Chuva Serôdia.

Ao avançar pelas páginas desta obra, o leitor perceberá que a expansão do Evangelho no Brasil não foi um acidente sociológico. Ela dependeu da sensibilidade de homens simples que democratizaram o púlpito e deram respostas práticas às dores de uma população marginalizada.

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