“Entre o Silêncio e o Teu Nome”

Português

Prólogo

Antes do Nome, o Silêncio

Algumas histórias não começam com encontros.

Começam com ecos.

Antes dele, havia silêncio.

Não aquele silêncio comum, de quando a casa dorme.

Mas um tipo de silêncio interno, antigo, como se algo estivesse esperando ser lembrado.

Helena não sabia o que faltava.

A vida dela era “certa”.

Ela acordava cedo, sorria nos horários certos, amava do jeito que aprendeu a amar: com cuidado, com medo, com limites.

Mas sempre havia algo que não encaixava.

Uma sensação de que estava ensaiando a vida real, que talvez nunca viesse.

Até que sonhou com ele.

Não com o rosto, nem com a voz.

Mas com o sentir.

Um sentir que doía de tão familiar — e doce de tão esquecido.

No sonho, havia um campo dourado e uma única frase dita por uma voz que ela reconheceu sem entender:

“Lembra… não é a primeira vez.”

Ela acordou chorando.

Não de tristeza.

Mas de um tipo de saudade que não tinha endereço.

E, naquele mesmo dia, encontrou uma carta antiga em uma caixa que não lembrava ter guardado.

A carta tinha um nome.

E aquele nome… não era apenas um nome.

Era um chamado.

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