A legião
Há histórias que se leem.
E há histórias que permanecem.
A Legião nasce no segundo lugar — onde a narrativa deixa de ser apenas ficção e se transforma em espelho. Este não é um livro sobre batalhas gloriosas nem sobre heróis sem falhas. É um livro sobre o que sobra quando a luz vacila, quando a sombra seduz, e quando continuar a lutar já não é coragem… é necessidade.
A Legião da Aurora ergue-se num universo onde nada é simples: nem o bem, nem o mal, nem as escolhas que os separam. Cada guerreiro carrega mais do que uma arma ou uma armadura — carrega memórias, perdas, desejos contidos e culpas que não pediram permissão para existir. Eles não foram unidos pelo sangue, mas por algo mais raro: a decisão consciente de permanecer juntos quando seria mais fácil cair separados.
Neste mundo, a luz não é inocente e a sombra não é apenas destruição. Ambas exigem preço. Ambas pedem sacrifício. E entre Auryn e Umbryon, entre a Aurora e a noite eterna, desenha-se o verdadeiro campo de batalha: o interior de cada personagem.
Escrevi A Legião porque acredito que todos caminhamos nessa fronteira. Porque todos já sentimos o apelo do poder fácil, do silêncio confortável, da desistência disfarçada de paz. E porque, apesar disso, algo em nós insiste em levantar-se — mesmo ferido, mesmo cansado — para proteger aquilo que ainda merece ser salvo.
Se, ao longo destas páginas, reconhecermos nos guerreiros da Aurora as nossas próprias quedas, as nossas contradições e a nossa fome de sentido, então esta história cumprirá o seu destino.
A Aurora não promete vitória.
Promete escolha.
E às vezes… isso é tudo.
Hugo Matos Correia
