SALMOS
Prefacio A Polônia do final do sáculo 1 8 e início do 19 era pontilhada de pequenas aldeias onde viviam famílias judaicas perdidas em meio à população em geral. Nura delas, a paisagem era dominada pela silhueta majestosa do castelo do Puritz, uma espécie de senhor Íeudal, ô quem todos deviam obediância e reverência. Nesta aldeia vivia uma família de judeus, casal e um filho pequeno, cujo comportamento ático e dedicação ao trabalho despertavam e justiíicavam o respeito que o restante da população tinha por ela. O próprio Puritz dizia que esta família era um exemplo no qual todos deveriam se mirar.
Pouco depois de completar dois anos o menino Ficou órÍão: um acidente matou seus pais. Cheio de compaixão e convencido de que o menino teria as mesmas virtudes dos pais,
o Puritz , que não tinha filhos, adotou-o, criando-o como se fosse verdadeiramente seu. Dez anos depois irritou tanto os colegas da escola ao vencer um jogo que eles não conseguiram se conter e gritaram com todas as letras: Nao importa que vocâ ganhe, pois continua a ser
apenas um judeu. E nós não gostamos de judeus. De volta ao castelo, o menino procurou o pai adotivo a quem contou o que havia acontecido, e sem conseguir disfarçar a indignação perguntou por que o haviam chamado de judeu. De fato, há algum tempo tenho algo para te contar. Antes de mais nada, é preciso ficar claro que te amo tanto quanto se pode amar um filho natural, mas eu te adotei quando você tinha ôpenas dois anos, porque teus pais morreram num acidente. Eles eram judeus. Não gosto muito deste pouo. No entanto, eles eram honrados, trabalhadores, dignos e eu os respeitava. Curioso, surpreso e de olhos arregalados, o garoto ouvia a história sendo contada com muitos detalhes na bíblioteca
do castelo. Você não tem do que se enrergonhar, e continuará sendo meu filho amado e herdeiro, independentemente do que os outros digam ou pensem. Quando te adotei, recolhi na casa onde vocâ morou uma pequena caixa que não ousei abrir, continuar no livro.
