Harpia
essa Harpia voa em fúria com uma fome insaciável, quer abocanhar, comer, destruir e com poemas vomitar ao mundo os milênios de silêncios a que foram destinadas todas as corpas desviantes, deslizantes, monstras: escrevendo.
no voo da rapina, traz consigo clitórias, tantas quantas pode, comigo-ninguém-pode; cospe fogo-poemas, dispara flechas-poemas que são exatamente certeiras direto ao alvo: a poesia.
e da fome e destruição, ao contrário das mitologias escritas por homens, essa Harpia nunca mais se enclausurará em cavernas: gaiola aberta, agarra suas próprias tramas de ave-mulher negra latina - carrega em suas poemas um tropicalismo gótico e revoa e dança e se farta no banquete da poesia.
e o que quer a poesia, essa monstra, senão dizer-se como se queira? escrever-se como se quer a voz-harpia?
ouça. dentro. e aqui. voa.
Orelha do livro, por nina rizzi
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