LENDAS DE AREIA
Você acabou de se mudar para esta velha casa, neste antigo bairro. Seus vizinhos, em sua maioria, são idosos.
A casa tem dois andares, com uma varanda no segundo piso. A única proteção ali é uma tela de nylon e um parapeito.
Seu trabalho é estressante e, ao chegar em casa à meia noite, você mal consegue pensar em dormir. Agora são 3h da manhã.
Você já tentou pegar no sono, mas não há sinal de que vá conseguir. É então que percebe: talvez seja o calor.
Você pega o celular, coloca um episódio de série e vai para a varanda, onde há uma brisa leve — o alívio que precisava.
Após um ou dois episódios, decide tirar o fone. Acha ter visto algo estranho na rua. Era só um gato, mexendo no lixo.
Mas então você ouve algo incomum.
Parece o som de crianças cantando e brincando no parque da esquina — aquele que, normalmente, só é frequentado por seus vizinhos idosos.
Você confere o horário: 3h45 da manhã.
Conforme os sons vão diminuindo, você percebe que são cantigas antigas, muito antigas. Mais antigas do que seus próprios vizinhos.
E, de repente, os sons voltam a crescer, como se estivessem se aproximando — primeiro pela rua, depois logo abaixo da sua sacada.
Mas você não vê nada.
Até que...
...escuta o seu nome ser cantado.
