LENTES DA ALMA V. II

Português

A vida moderna é, em essência, uma gigantesca loja de departamentos. Nela, somos bombardeados por opções, distrações, promoções e a tentação constante de adquirir o que não precisamos, ou pior, de gastar o que não podemos.

A experiência narrada no texto-base, de entrar em uma loja "por impulso" e se dar conta de que estava ali apenas "matando o tempo", é uma metáfora perfeita da nossa existência desorientada. Quantas vezes preenchemos nossos dias com atividades vazias, redes sociais incessantes, consumismo impulsivo ou futilidades, não por necessidade, mas por uma falta de propósito definido?

A frase "matando o tempo" é o cerne do problema. Ela implica que o tempo é um inimigo a ser eliminado ou, no mínimo, um peso morto a ser arrastado. O texto expõe a futilidade desse ato: gastar um "bem finitamente imensurável" em algo desnecessário. O problema não é a loja em si, mas a escolha de usá-la como anestésico para o tédio existencial ou como fuga do propósito. Valorize o bem que você tem diariamente e que não se acumula, não se guarda, apenas o usufrui a todo momento. Que seja da melhor maneira possível!

Mostrar mais