LENTES DA ALMA V. XIII (É JUSTO?)
Vivemos sob a ditadura do cronômetro. Acordamos com
o som estridente de alarmes que nos lembram que já estamos
atrasados, para o trabalho, para o sucesso, para a vida. Esta
pressa, que chamo de "velocidade do mundo", não é apenas
física; ela é uma condição da alma. Corremos porque fomos
ensinados que quem para, fica para trás. Corremos porque o
mundo nos convenceu de que os recursos são escassos e que, se
não chegarmos primeiro ao "pirão", passaremos fome.
Essa pressa gera um efeito colateral devastador: a visão
de túnel. Quando você corre em alta velocidade, as paisagens
laterais se tornam borrões indistinguíveis. Nas Lentes da Alma,
as "paisagens laterais" são as pessoas. O vizinho do primeiro
andar, o colega de baia, o porteiro do prédio, todos se tornam
obstáculos ou ferramentas, nunca destinos. Neste décimo terceiro volume da série, convido você a
ajustar o foco. Vamos olhar para uma situação comum: uma
reunião de condomínio. Para muitos, um evento tediante; para a
Lente da Alma, um laboratório de caráter.
Muitas vezes, justificamos nossa falta de ética com a
"falta de tempo" para pensar no outro, ou com a "pressa" de
resolver nossos próprios problemas financeiros. Mas a alma que
deseja edificar sobre a rocha precisa aprender a desacelerar.
Precisa aprender que a "farinha pouca" não justifica o egoísmo,
mas convida à multiplicação através da partilha. Ao longo destas páginas, não espere apenas técnicas de
gestão de conflitos ou dicas de convivência. Espere um espelho.
Um espelho que perguntará: A que velocidade sua alma está
caminhando? Se você estiver correndo mais rápido do que a sua
capacidade de ser justo, você já se perdeu no caminho.
