LENTES DA ALMA V. XXV

Português

A mente humana é capaz de conceber e executar

maravilhas tecnológicas que roçam as fronteiras da eternidade.

Sentado diante da minha mesa de trabalho, passei horas

paralisado diante das primeiras imagens transmitidas pelo

telescópio espacial James Webb. A nitidez dos aglomerados

estelares, a dança gravitacional de galáxias situadas a bilhões de

anos-luz e o esplendor cromático da Nebulosa Carina

arrancaram de mim um louvor espontâneo. Era a assinatura do

Criador exposta de forma inequívoca na tela de um computador.

Contudo, no mesmo dia, ao abrir os portais de notícias diárias,

fui esbofeteado pela crueza de um relato local: um profissional

de saúde, alguém cuja vocação primeira deveria ser a proteção

da vida em seu estado mais vulnerável, foi flagrado cometendo

um ato de perversidade indizível contra uma paciente indefesa.

O contraste foi tão violento que minha alma emudeceu.

Como pode o mesmo solo planetário abrigar a inteligência que

desvenda os mistérios do cosmos e a baixeza que viola o corpo

e a dignidade do semelhante? Este livro é o resultado desse

silêncio doloroso. Ele não foi escrito para entreter ou para servir

de mero adorno teológico. Trata-se de um manifesto de

indignação e, simultaneamente, de um apelo à misericórdia

divina. Fomos criados para o sublime, fomos desenhados para o

esplendor do céu, mas insistimos em cavar nossa própria

sepultura moral no fundo do poço. Convido você a ler estas

páginas com o coração desarmado, permitindo que a luz que

emana das estrelas exponha e cure a escuridão que habita em

nós.

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