LENTES DA ALMA V. XXVIII

Português

A história da humanidade é a história das aparências.

Construímos impérios de certezas, erguemos castelos baseados

em títulos, posses e distinções sociais. Criamos, ao longo dos

séculos, máscaras invisíveis: a máscara do poder, a máscara da

invulnerabilidade, a máscara da eterna juventude e da

autossuficiência. Caminhávamos de "cara limpa", mas

profundamente disfarçados.

Contudo, basta um sopro de incerteza, uma crise que

ameace a integridade do corpo, para que toda essa arquitetura

social desmorone. O fenômeno que analisamos nesta obra é uma

das maiores ironias da existência contemporânea: a necessidade

de usar uma máscara física para conter uma ameaça invisível

acabou por promover um "desmascaramento" moral e espiritual

sem precedentes.

Ao cobrirmos a boca e o nariz, fomos privados das nossas

expressões mais fáceis. O sorriso protocolar foi cancelado. A

indiferença disfarçada foi posta em xeque. O que restou? Restou

o essencial. Restou a nudez da nossa condição de mortais. Esta

introdução propõe um pacto com o leitor: o de não desviar o

olhar. Cruzaremos o portal desta reflexão conscientes de que

somos débeis, suscetíveis e vulneráveis, mas sabendo que é

justamente a partir do reconhecimento da nossa pequenez que

podemos vislumbrar a grandeza do Caminho reto que nos foi

traçado.

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