Louco é quem me diz. Edição de 20 anos
Esta edição comemorativa de 20 anos traz 23 histórias reais de pacientes psiquiátricos internados. Através de rerecursos do FAC, o Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, ela foi remodelada e se tornou muito mais robusta e acessível para o público.
A intenção de "Louco é quem me diz" é dar voz e importância a pessoas com transtornos mentais, contando suas histórias. Ao questionar o que é a normalidade, o leitor fica ávido e curioso, e, no final, seria capaz de trocar de lugar com alguns personagens, por reconhecer em si mesmo as contradições, sonhos represados e dores inconscientes.
As primeiras crônicas foram escritas em 2004, quando a autora fazia residência médica no Hospital de Base. Em 2005 elas foram publicadas numa pequena edição artesanal, com visual modesto, mas tiveram ótimo acolhimento do público. Contadas de forma poética, impactaram muitos leitores, ajudando a desconstruir o estigma das doenças mentais. Mesmo sem distribuição planejada, o livrinho aparece em leituras recomendas em cursos de Psicologia, por ser um retrato fiel de pacientes psiquiátricos em internação.
A autora publica agora uma edição comemorativa, revista e ampliada, com uma complementação das histórias antigas e o acréscimo de novas crônicas. A nova edição conta, ainda, com belas ilustrações em aquarela.
O conceito de loucura permeia sociedades de todas as épocas, seja transformando aquele que é divergente em sábio, seja encarando-o como uma ameaça que devemos segregar. Essa discriminação não deveria existir. As pessoas são como aquarelas em uma paleta infinita de cores que nunca se repetem; mas, mesmo assim, nós compartilhamos cores semelhantes. A semelhança é a ponte para aceitar as diferenças: olhar os tons comuns nos unem.
