Magoas amorosas
“Que scena tão suave aos Amadores!
Capaz de amenizar o horror da Morte,
Que, de azas negras, me esvoaça emtorno!
Que scena tão suave aos Amadores!
Com brando murmurío além revôão
De Venus, e de Analia, (iguaes no encanto)
De Venus, e de Analia as avezinhas.
Alli magoas não ha, não ha saudades,
Vivem como eu vivi, como eu não morrem!
Doce he ver-lhe os desejos innocentes,
Os momentos de Amor! He doce ouvir-lhe
Ternos gemidos em delicias ternas!
Unindo os bicos, se namorão, se instão,
Se afagão longamente, e arrulão juntas.
Nellas pejo não he, nem crime o gosto,
O altar da Natureza urdio seus laços!
Férreo Dever, que o Sentimento ancêa,
Dever, algôz de Elmano, algôz de Analia,
Nos tenros corações lhes não carrega!
”
Excerto de
Mágoas Amorosas de Elmano
Manuel Maria Barbosa du Bocage
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