Na Escola Somos Todos Iguais. Será?
As discussões que envolvem o multiculturalismo e a interculturalidade não
representam temas passageiros, mas sim questões fundamentais que se
encontram no cerne e na esteira das transformações do século XXI. Como
aponta a literatura especializada — a exemplo das reflexões trazidas pelo Prof.
Dr. Ênio Brito e por Vera Maria Candau —, os desafios da educação
contemporânea estão na ordem do dia e exigem dos educadores uma postura
ativa.
Pensar, teorizar e exercitar a práxis educativa em meio às diversidades exige a
abertura para um horizonte amplo de dimensões. Isso perpassa desde a
universalização da escolarização e a qualidade do ensino até a elaboração dos
projetos político pedagógicos, a avaliação, a gestão da indisciplina e a própria
formação docente.
Este e-book nasce da urgência de reencontrar a própria educação por meio da
prática. Uma prática comprometida com a reinvenção da formação de
professores em seus aspectos normativos, curriculares e pedagógicos,
garantindo que o ensino aprendizagem responda com responsabilidade e
sensibilidade aos dilemas do nosso tempo.
Ao questionarmos se "na escola somos todos iguais", somos imediatamente
provocados a olhar para o cotidiano escolar sob uma nova perspectiva.
Historicamente, a escola brasileira e latino-americana consolidou-se sobre um
viés padronizador, homogeneizador e monocultural, pautado na hegemonia
europeia e em verdades tidas como absolutas. Sob a justificativa de uma
pretensa igualdade ou "normalidade dominante", a instituição escolar muitas
vezes preferiu o silenciamento, a neutralização e o apagamento das diferenças
a ter que lidar com a pluralidade que a constitui.
Contudo, a premissa fundamental que guia esta obra é de que a diferença está
no chão da escola. A diferença não deve ser encarada como um problema a
ser corrigido ou assimilado, mas sim como um valor intrínseco e inerente à
base dos processos educativos.
Boa Leitura!
