Não da pra esquecer teus olhos
Aqueles olhos... não consigo esquecê-los. Os olhos de Waldira me penetravam de uma maneira que eu jamais havia experimentado. Não era apenas um olhar. Era como se, por alguns segundos, todo o resto deixasse de existir e só permanecesse aquela troca silenciosa entre nós. Eu podia estar cercado por pessoas, ouvir conversas, risadas, barulhos e vozes, mas bastava encontrar aqueles olhos para que tudo ao redor perdesse a importância.
Havia alguma coisa neles que eu não sabia explicar. Talvez fosse a maneira como ela me olhava, talvez fosse a intensidade, ou talvez fosse simplesmente a sensação de que, quando Waldira fixava os olhos em mim, ela conseguia enxergar coisas que nem eu mesmo conseguia compreender. Era um olhar que não pedia licença. Entrava. Invadia. Permanecia
