NÃO PEDI PARA NASCER Gênese de um traficante de drogas
Quando me aventurei a morar em uma comunidade carente de Vitória no Espírito Santo e que, além das mazelas sociais já vividas por essa população, passou a ter como estigma o tráfico de drogas, descobri que não sabia nada do que é a verdadeira realidade de uma comunidade de morro. Mas, apesar dessa peculiaridade nada agradável para quem mora, não tem como característica a violência, pois pelo contrário, é uma comunidade bem armônica. A partir daí percebi que, somente se é capaz de entender uma determinada realidade, fazendo parte dela verdadeiramente. Entendendo o seu contexto social, a sua história e o mais importante, a história de sua população como seres sociais e como – independentemente da sua classe-, seres humanos.
Dessa forma pude transmitir de certa forma, neste livro – fictícia, como também verídica -, a demonstração de um contexto do problema social enfrentado pela maioria das comunidades de Vitória e por que não dizer do Brasil. Neste caso, adolescentes perdidos para o tráfico de drogas e adolescentes mães, despreparadas e “parideiras”, no sentido de escancarar a fragilidade do sistema em que priorizou o estancamento da mortalidade infantil, porém esqueceram de desenvolver políticas públicas sociais para as crianças e adolescentes que romperam a barreira da mortalidade.
Assim, a história de um ser humano chamado Carlinho, desde o seu nascimento – com todo o contexto familiar que levou à sua chegada -, à sua ascensão no tráfico de drogas, é contada aqui de uma maneira mais humana e com um olhar aberto para fatores que determinam o aumento da violência nas comunidades de morro. NÃO PEDI PARA NASCER 350 Assim como todo o enredo que envolve a comunidade e o próprio tráfico, visto que o traficante é o próprio morador mais carente e desassistido pelo estado, ou seja, as crianças e adolescentes que o sistema não deixou morrer, porém esqueceu de dedicar o devido amparo com políticas sociais mais efetivas e eficazes, que poderiam romper com o tráfico de drogas.
