No Mundo de Laísa, as reduções Jesus-Maria e São Cristóvão (1632-1636)
Apoiada em ampla bibliografia, com um olhar generoso, a autora redesenha a presença marcante dos padres jesuítas em duas reduções da primeira fase no Rio grande do Sul, na introdução não apenas da evangelização, mas de outros saberes, que tornaram a vida dos índios mais digna em defesa dos seus direitos e de sua terra.
Laísa, a protagonista, encontra em um idoso, um interlocutor misterioso, porém de grande saber, decisivo para recuperar as páginas da história que, se não registradas, aos poucos vão se apagando para sempre.
No mundo de Laísa é um romance interessante e meritório, uma vez que mistura fatos reais e as fantasias que toda obra literária permite, pois são duas histórias que se entrelaçam: uma fictícia, criada para parte dos personagens, e outra verídica.
Enquanto figura principal, Laísa será revelada aos poucos. Nela, temos todos os traços de pessoas que nascem e crescem em uma sociedade, cujos principais valores ainda se bastam ao obter uma boa graduação, que lhe traga rendimentos para uma excelente e confortável subsistência social, mas sem se preocupar com suas origens, a história da sua vida e do lugar onde vivem. Seus conflitos, porém, que a incomodam de modo inconsciente, estão ligados a sua orfandade desde criança, à falta de vínculos de parentescos vivos, dilemas esses que a conduzem por outros caminhos. Instigada por ele, lhe é impossível dizer não a busca de sua entidade cultural, sendo levada pela mão por este senhor, que a cativou através de atenção e de afeto. Mas sobre essa Laísa alguns fios ainda ficarão soltos para os próximos dois romances, visto que é uma saga pelo seu autoconhecimento e pelos fatos do chão que lhe acolhe.
Já quanto à história relativa às reduções, tudo que é lido, comentado, aparece em delírios ou sonhos traz os traços da história.
