O "EU" TEMPORÁRIO E A ETERNIDADE QUE PROMETO

Português

Para quem já foi velório e funeral de si mesmo, e ainda assim ousou plantar flores no peito.

PREFÁCIO

Eu escrevo estas páginas como quem fala numa sala escura, acendendo pequenas velas uma a uma. Falo em primeira pessoa porque a verdade que quero alcançar precisa ser íntima, precisa do seu "eu".Sou temporário, lembro-me sempre; há quem pense que isso é fatalidade — eu chamo de chamada à presença. Prometo eternidade, não na posse do outro, mas no pacto que faço comigo mesmo todos os dias.

Aqui, o leitor será convidado a testemunhar seu próprio velório silencioso e, ao mesmo tempo, a sua ressureição. Não prometo receitas fáceis, apenas palavras que acomodem o pranto e que puxem pelos fios para recompor o corpo.

Se me permite, pego sua mão no meio do escuro; não para guiar, mas para lembrar que você ainda sente. Essas páginas são bálsamo e lâmina; vão cortar e curar, dependendo de onde dói mais.

Sou a testemunha que lembra que amar não é anular-se — é aprender a habitar-se, inteiro e imperfeito. Que o leitor se reconheça e se reconcilie. Que cada frase seja um pequeno ato de cuidado consigo.

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