O feminismo afro-latino-americano de Lélia Gonzalez

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Lélia Gonzalez é uma referência nos debates sobre gênero e raça no Brasil – não à toa a filósofa Angela Davis convocou todas as pessoas que a escutavam em uma apresentação no Brasil a lerem Lélia! Do pensamento complexo e multifacetado de Lélia Gonzalez, destacamos, nesta aula, duas de suas ideias:

1. A ideia de que as pessoas negras, que foram postas na lata de lixo da História brasileira, podem assumir seu lugar de sujeito e deixar de ser objeto ou infans, conceito lacaniano que indica aquele que é falado (a linguagem em terceira pessoa utilizada pela criança). Autora de uma escrita iônica, Lélia Gonzalez afirma que “o lixo vai falar e numa boa!”

2. A categoria político-cultural de amefricanidade, ligada ao que a filósofa chama de “pretuguês”, isto é, a língua que falamos no Brasil não é português, mas pretuguês, pois é um português enegrecido, adotamos muitos vocábulos e modos africanos de falar sem saber. Eis por que, afirma a filósofa, a batalha discursiva, em termos de cultura, foi ganha pelo negro. Somos americanos, pois a cultura que construímos aqui é algo único, que nos liga à África, mas é uma produção singular das Américas.

Esta aula é importante para refletirmos, com Lélia Gonzalez, sobre o enegrecimento da cultura brasileira, entendendo que a resistência ao racismo pode se dar de maneira ativa, através de revoltas, quilombos, etc., mas pode se dar também de maneira pacífica, através da cultura.

A docente é professora de filosofia moderna da USP. Participa como coordenadora grupo de estudos sobre feminismos e do Conselho de Inclusão e Pertencimento, ambos da USP e preside a Comissão de Defesa de Direitos Humanos da FFLCH-USP. Ela é autora de livros de fisolofia, além de possuir inúmeros artigos científicos.

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