O Homem que escrevia Silêncios

Português

O eco que antecede a palavra

Dizem que há um instante, muito antes de qualquer som, em que o mundo respira em segredo. É ali que moram os silêncios. Não o silêncio da ausência, mas o silêncio vivo, fértil, que escuta mais do que fala. Foi nesse intervalo invisível que nasceu o homem sobre o qual este livro se debruça.

Chamavam-no de muitas formas — o Eremita, o Escriba, o Vazio — mas ele nunca disse seu nome. Dizia apenas que escrever era um gesto de traduzir o que as palavras não sabiam carregar.

Na cabana de pedra onde vivia, havia centenas de cadernos empilhados, todos sem título. Não havia capítulos nem enredos, apenas passagens, fragmentos, perguntas que flutuavam como folhas secas ao vento. A cada amanhecer, ele se sentava diante da janela e escrevia com tinta invisível aquilo que o mundo esquecia de ouvir: o silêncio que há nas entrelinhas da existência.

Alguns viajantes o encontraram. Outros apenas sonharam com ele. Nenhum voltou o mesmo.

Este livro não é sobre ele. É sobre aquilo que permanece quando tudo se cala. É sobre você, se tiver coragem de ouvir.

Porque às vezes, o que salva…

não é o que se diz.

Mas o que se sustenta em silêncio.

Gratidão!

Roger

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