O Novo Principado
Augusto não aboliu a República: manteve todas as suas formas e esvaziou-as por dentro.
Vinte séculos depois, a técnica voltou. Os autocratas do século XXI raramente fecham parlamentos ou suspendem eleições — preferem conservá-los e transformá-los em cenário. É o que este livro chama de autocracia legal: a concentração de poder feita com as regras do próprio Estado de Direito, uma emenda de cada vez.
O Novo Principado examina dezessete países, um a um, para expor a gramática comum dessa concentração: de Roma ao fascismo italiano, do Estado dual nazista ao salazarismo, do Frankenstate húngaro à autocracia popular de Bukele.
O QUE VOCÊ ENCONTRA
- Da República ao Principado: a invenção da autocracia legal, e as leis de Augusto lidas ao lado das emendas do século XXI.
- Itália, Alemanha, Espanha e Portugal: a fabricação da romanidade, o Estado dual, o franquismo e a arte salazarista de durar.
- Estados Unidos, Brasil, Argentina, Paraguai, Chile e Venezuela: do nativismo à autocratização policêntrica, dos cadeados constitucionais ao espelho à esquerda.
- Hungria, Turquia, Rússia, Polônia, Índia, El Salvador e Israel: Frankenstate, autoritarismo competitivo, autocracia eleitoral, democracia étnica e captura revertida.
- A guerra híbrida cognitiva, a gramática neorromana do poder e o imigrante como pharmakón.
- Um capítulo inteiro sobre os que disseram não — inclusive as resistências que venceram.
O livro abre com Gramsci: “A crise consiste justamente no fato de que o velho morre e o novo não pode nascer; neste interregno verificam-se os fenômenos mórbidos mais variados.”
Um capítulo discute “Como as Democracias Morrem”, de Levitsky e Ziblatt, pelo nome, para propor a inversão: não salvar uma democracia que morre, mas fundar uma que nunca nasceu.
Por Brazuka (Reginaldo Nunes Barbosa): jurista, jornalista e engenheiro.
