Por uma literatura menor
A literatura menor aparece num momento de declínio do prestígio dos saberes europeus, da ascensão da Rússia, e as guerras mundiais. É o momento de crise da forma romance e da fermentação das iniciativas que iriam se tornar movimentos de libertação nacional nos países do Terceiro Mundo. É UMA LITERATURA CONTRA O IMPERIALISMO.
Enquanto Herman Melville propõe uma resistência passiva com seu Bartleby, Walter Benjamin vê a figura do justo, do simples trabalhador da cultura, surgir das obras de Franz Kafka. No caso do Brasil, o termo literatura se desvincula da prosa escrita e acessa os arcanos de nossa canção popular, assim como passa pelas lutas minoritárias como as realizadas por Beatriz Nascimento e Lélia González.
Nos romances burgueses do séc. XIX, o assunto público está estreitamente delimitado em relação ao assunto privado: são fábulas imperialistas, como Edward Said vê no romance de Jane Austen, Mainsfield Park. Na literatura menor, pelo contrário, o assunto mais pessoal se torna imediatamente coletivo. Falar de si é falar de outros, de um povo que busca se construir, se formar, se criar. É este tipo de literatura ou linguagem que vemos funcionar no Brasil.
O curso Por um literatura menor se faz em dois eixos que podem ser cursados separadamente.
O 1º tem o nome de “O que é a literatura menor?” e acompanha a trajetória do conceito como formulado por Deleuze e Guattari e depois é testado, provado, em estudos de caso com autores brasileiros.
O 2ª tem o nome de “Cultura e imperialismo”: tem como premissa a crítica à cultura europeia, à sua visão de teoria, seja a científica ou a literária. Também aqui são testados e explorados os pressupostos conceituais em diferentes casos de estudo.
