O Último Compassos do Caos

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O céu não tinha mais o azul das manhãs de verão; era uma mistura densa de fuligem e um laranja doentio que parecia sangrar sobre o horizonte. O mundo havia parado de girar da forma que conhecíamos, mas, para Julian e Elena, o tempo havia se condensado em um único e urgente presente.

Eles estavam sentados no teto de um Chevrolet 1967 abandonado, no topo de uma colina que ignorava as ruínas da antiga metrópole. O silêncio era absoluto, interrompido apenas pelo estalo metálico do motor resfriando e pelo vento que uivava entre as carcaças dos prédios.

Um Brinde ao Fim

Elena girou uma aliança de prata no dedo, um objeto que não tinha mais valor comercial, mas que pesava toneladas em significado.

"Você acha que alguém ainda está ouvindo?" ela perguntou, sintonizando um rádio de pilha que emitia apenas chiados estáticos.

Julian olhou para ela e sorriu de lado, aquele sorriso que ainda guardava vestígios de uma vida antes do colapso. "Se não houver ninguém, a música é só nossa. E, honestamente? É a melhor plateia que já tive."

Ele segurou a mão dela. A pele estava áspera, marcada pelo trabalho pesado de sobrevivência, mas o toque ainda era o único lugar no mundo que parecia seguro. Em meio ao apocalipse, o amor não era mais um luxo ou um poema clichê; era a âncora que impedia que eles fossem levados pela correnteza do desespero.

A Promessa nas Cinzas

Eles sabiam que os suprimentos eram escassos e que o inverno que se aproximava não teria piedade. No entanto, enquanto observavam as primeiras estrelas tentarem perfurar a camada de poeira atmosférica, houve uma aceitação silenciosa.

• O Ontem: Era um fantasma de contas pagas e trânsito.

• O Amanhã: Era uma incerteza perigosa.

• O Hoje: Era o calor do ombro dele contra o dela.

"Se o mundo acabar de vez amanhã," Elena sussurrou, encostando a cabeça no peito de Julian, "eu morreria com a sensação de que venci."

Julian beijou o topo da cabeça dela, sentindo o cheiro de chuva e fumaça.

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