Os Mitos de Aphrothena — Entre o Desejo e a Consciência
PREFÁCIO
Há personagens que nascem de uma história. Aphrothena nasceu de uma pergunta.
O nome reúne, simbolicamente, duas forças que a tradição mitológica costuma separar: Afrodite, associada ao desejo, à beleza, ao amor e à atração; e Atena/Minerva, associada à inteligência, à estratégia, à autonomia e à consciência.
Mas Aphrothena não pretende ser uma reconstrução da mitologia grega. Ela é uma criação simbólica do universo Éthos Nexum. Ela nasce justamente no intervalo entre duas forças: aquilo que sentimos e aquilo que fazemos com o que sentimos.
Porque desejar não é compreender o desejo. Amar não é necessariamente saber amar. Ser livre não significa necessariamente não precisar de ninguém. E possuir aquilo que queremos nunca foi garantia de que encontraremos aquilo que realmente procurávamos.
Por isso, Aphrothena não oferece respostas prontas. Ela pergunta.
Pergunta ao homem que confunde amor com posse.
À mulher que confunde independência com distância.
Àquele que teme ser amado.
Àquele que precisa ser lembrado.
Àquele que quer ser escolhido.
Àquele que não consegue dizer não.
Àquele que sente saudade e não sabe se deve voltar.
Mas, pouco a pouco, suas perguntas também retornam para ela. E é nesse movimento que a deusa deixa de ser apenas aquela que questiona os mortais e passa a ser também aquela que precisa olhar para si mesma.
Este livro não pretende ensinar o leitor a viver. Não oferece uma filosofia fechada, uma moral definitiva ou uma fórmula para o amor, para a liberdade ou para a existência.
Se há alguma proposta nestas páginas, é mais simples — e talvez mais incômoda:
olhar.
Olhar para o desejo antes de transformá-lo em ação.
Olhar para o medo antes de transformá-lo em controle.
Olhar para o amor antes de transformá-lo em posse.
Olhar para a liberdade antes de transformá-la em fuga.
Aphrothena não pede que o leitor concorde com ela. Talvez peça algo mais difícil: que o leitor pergunte a si mesmo.
Porque uma resposta pode encerrar uma pergunta.
Mas uma p
