Os Padres Da Igreja; O.P.M - Obras Completas (Ed. C.) - Lactâncio
O estudo da patrística latina encontra em Lúcio Cecílio Firmiano Lactâncio (c. 240 – c. 320 d.C.) uma das fi guras mais singulares e estilisticamente refi nadas do período de transição entre a perseguição de Diocleciano e a paz constantiniana. Conhecido pela posteridade como o "Cícero Cristão" (Christianus Cicero), Lactâncio representa o esforço apologético de transpor a fé cristã para os moldes da alta cultura retórica e literária do Império Romano.
Lactâncio nasceu no Norte da África, provavelmente em meados do século III. Foi discípulo do renomado retórico Arnóbio de Sica. Sua excelência na arte da eloquência foi tamanha que o imperador Diocleciano o convidou para assumir a cátedra de retórica em Nicomédia, a capital oriental do Império. Neste ambiente profundamente pagão, Lactâncio converteu-se ao cristianismo. A sua conversão custou-lhe a posição ofi cial quando, em 303 d.C., iniciou-se a Grande Perseguição. Vivendo em relativa pobreza e testemunhando o martírio de seus correligionários, ele dedicou sua pena à defesa da nova fé. Sua sorte mudou com a ascensão de Constantino, o Grande, que o convocou para ser tutor de seu fi lho, Crispo, na Gália (Tréveris), onde Lactâncio passaria seus últimos anos.
A fi losofi a de Lactâncio é marcada por um realismo providencialista. Diferente de outros padres que mergulharam profundamente na metafísica especulativa, Lactâncio focou na efi cácia moral e política da religião. Sua obra magna, Divinae Institutiones, é a primeira tentativa sistemática de apresentar o cristianismo como um sistema fi losófi co completo e superior ao paganismo. Ele argumenta que: A Verdade é Inseparável da Piedade: Para Lactâncio, a fi losofi a pagã falhou porque separou o conhecimento (filosofia) do culto (religião). O cristianismo seria a "verdadeira fi losofi a" porque une ambos.
