Recife Terra de Encantos e Encantados

Português

Neste livro, desde as primeiras páginas, fica claro que a memória não é um acessório do texto. Ela é matéria-prima de encantamento.

A autora... não relata apenas lendas. Ela convoca uma cidade. E ao convocá-la, convoca também seus mortos e seus vivos. Seus vultos e suas alegrias. Seus sustos e seus risos. Quando ela escreve sobre o Recife... não descreve apenas uma geografia física, mas uma geografia afetiva. povoada pelos avós, pelas histórias contadas no quintal...

Pelas caminhadas de mãos dadas.

Há, nesse gesto, algo profundamente humano e ao mesmo tempo mágico. Fazer com que quem partiu, continue caminhando... Página após página.

Por isso, talvez Recife seja aqui, sim, um grande acervo de memórias. Mas não como um silencioso cemitério. sim como um arquivo vivo de mistérios, que boca a boca continuam vagando, e vez em quando são comentados nas calçadas.

Aqui, os mortos conversam... os desaparecidos riem. Os antigos continuam sentados em certas mesas. E às vezes, basta passar por um lugar... para que uma multidão de gente que já não existe na nossa vida se levante diante de nós.

É! Recife realmente não é para amadores.

Para amantes sim, talvez, para muitos amantes. Deve ser por isso que Recife tem tantos poetas e que talvez seja justamente por isso que escrevemos. Para não deixar que o esquecimento seja a última palavra.

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