São e-books de poemas
Trago o cotidiano em versos, não porque seja belo, mas porque é inevitável. Transformo em poesia aquilo que os dias insistem em despejar em cima de mim: rotinas pesadas, frustrações miúdas, silêncios barulhentos. Escrevo porque, de algum jeito, preciso dar forma ao caos, e as palavras são meu refúgio mais barato. Não prometo finais felizes nem mensagens motivacionais, apenas o que sou capaz de traduzir: um pouco de sarcasmo para não me afogar, uma pitada de melancolia para lembrar que sentir ainda é possível, e ironia suficiente para encarar a vida sem me levar tão a sério.
Meus poemas românticos não são flores entregues em caixas de presente; são cartas escritas à noite, quando o peito aperta e a saudade aperta mais ainda. São declarações que nascem com medo de nunca serem lidas, ou pior, de serem lidas e ignoradas. No entanto, continuo escrevendo, porque o amor, mesmo quando não corresponde, ainda tem uma força absurda de me mover. É frágil, é contraditório, mas é real.
As frustrações, por outro lado, são inevitáveis companheiras. Aparecem como sombra em cada estrofe, lembrando-me que o mundo raramente entrega aquilo que promete. E, quando entrega, vem sempre com juros altos. Talvez seja por isso que meu olhar sobre o cotidiano carrega esse tom meio ácido: rir de mim mesmo antes que o mundo ria de mim.
Minha escrita é assim: um campo de batalha entre o desejo de acreditar em algo bonito e a consciência de que a realidade sempre dá um jeito de bagunçar os planos. Eu não disfarço, não enfeito demais. Apenas coloco no papel o que sinto, mesmo quando não faz sentido. Porque no fundo, talvez poesia seja isso — um jeito torto de sobreviver ao peso dos dias.
