[LIVRO] Sempre Ela (PDF)

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OS HÁBITOS DAS MÚLTIPLAS CASTAS

(à guisa de apresentação)

Em cada olhar há um mundo, ainda que a maioria prefira o conforto das arquibancadas, das multidões que miram a mesma coisa e, assim, partilham um universo comum. Poucos aceitam pagar o preço caro dos passos cansativos que levam para cantos afastados de onde enxergam o que poucos ou ninguém mais vê. Gente de um tipo especial que fala uma língua que nem todos interessam, carregando não raro o peso da incompreensão. Peso de corrente grossa que, no entanto, não lhes consegue tolher os voos: há uma vida para viver e para dizer. E vivem e dizem, apesar de tudo e todos, pois esse é o seu karma, sua divisa e destino.

Nas páginas que se seguem, sem par ou parelha, um fragmento dessa história é contado na melhor tradução alquímica: não se diz com palavras de manual, nem frases de enciclopédia, destruindo os mistérios com a presunção científica da explicação. Diz-se com a seriedade dos hieroglíficos não traduzidos, a cerimônia dos segredos cifrados, a urgência das soluções a que só se pode chegar após o ônus das equações: não é tomar, é conquistar. Não é receber, é merecer. Canetas de plásticos são distribuídas como brindes indistintamente; entrementes, as peças de ouro são prêmios que se reservam aos eleitos.

Cuidado ao folhear as páginas seguintes. Atenção quando as estiver lendo. No mesmo rio, o parvo colhe cascalho e o garimpeiro aufere as pepitas de sua riqueza. O néscio desmerece a esfinge porque não percebe a sua incapacidade de decifrar o enigma. As multidões que afluíam a Delfos não esperavam ouvir frases de horóscopo matutino, logo acima das tirinhas de humor; compreendiam o ônus dos pronunciamentos daqueles e daquelas que atendiam aos comandos de Píton, no umbigo do mundo.

Caluda! Respira fundo, aquieta o coração, abra os olhos e a mente. Então, leia. Só quem tiver olhos de ver lerá e compreenderá.

Dr. Gladston Mamede

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