Somos Isabeis
E ste livro não é uma coleção de relatos sobre mulheres fortes — porque a força, aqui, não é apresentada como performance, mas como consequência. Cada texto que compõe Somos
Isabéis: mulheres que geram é um território de entrega, no qual o verbo “gerar” se amplia para muito além da biologia. Gerar, nesse contexto, é responder a um chamado que vem de dentro, porém que não nasce
ali. É atravessar o invisível com fé e com-
promisso, mesmo quando tudo fora de nós
aponta para a esterilidade dos dias.
Somos Isabéis é um título que carrega uma
contracorrente: em vez de dizer “somos”
apenas como plural, ele convoca à escu-
ta de uma identidade coletiva firmada na
singularidade. Aqui, cada mulher é uma
Isabel — figura bíblica que conheceu o si-
lêncio, a incredulidade alheia e o milagre —,
mas também é única em sua história, em
seus enfrentamentos, em sua forma de crer
e obedecer. Nestas páginas, não há fórmu-
las prontas ou promessas de caminhos fá-
ceis: há processos. E há mulheres que não
pararam neles.
As autoras reunidas nesta obra escrevem
com o corpo e com a memória. Elas não
contam vitórias, elas compartilham jorna-
das. Falam de maternidade espiritual, de
cura, de perdas que abriram espaço para
novos começos. Falam do tempo do se-
gredo, da dor que não fez sentido por um
longo período, das escolhas que rasga-
ram a alma antes de construírem pontes.
Há mulheres aqui que foram ao fundo do poço — não como metáfora, mas como realidade — e outras
que descobriram que o fundo também é lugar de encontro com
a promessa.
Este não é um livro para entreter. É um livro para despertar. Não
se lê Somos Isabéis de fora. Ele exige que você se aproxime,
que olhe para dentro, que reconheça, talvez com espanto, que
o que foi gerado na vida de outras também pode estar sendo
gestado na sua. Não é um livro sobre o que já nasceu, mas so-
bre o que ainda pulsa em silêncio, em oração, em lágrimas es-
condidas e em pequenos “sins” dados
na intimidade com Deus.
Se há um
