VERMELHO SANGUE
Dizem que toda obra de arte carrega a alma do
artista, mas as de Elijah carregavam muito mais
almas que apenas a dele.
Em seu ateliê, presenciei muito mais que apenas
o cheiro metálico que se misturava ao de tinta a
óleo e verniz, o pintor trabalhava em silêncio.
Cada pincelada era uma prece sombria, um gesto
de devoção ao que ele chamava de a pureza da
cor. Devido a sua fonte até agora misteriosa.
Suas telas vibravam com tons impossíveis,
vermelhos tão intensos que pareciam pulsar,
vivos, quase humanos. Ele criara uma combinação
perfeita, para achar o tom de tinta perfeita.
Ninguém sabia de onde vinham suas inspirações.
Ninguém imaginava o que se escondia por trás
das paredes manchadas, onde sombras se
arrastavam como segredos não ditos., com gritos
que ecoam no silêncio.
Para Elijah, a arte verdadeira não nascia da
beleza, mas do sacrifício. E toda noite, sob o som
distante da chuva, ele buscava um novo
fragmento de inspiração — alguém que pudesse
lhe dar mais um tom de vermelho para completar
sua obra-prima.
