YARA Rainha das Águas

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YARA

Rainha das Águas

Um romance mítico-fantástico

História I — O Nascimento da Rainha das Águas

Antes que o primeiro nome fosse dado aos rios, antes que o mar aprendesse a rugir, as águas já sonhavam.

No coração do mundo — onde os rios se encontram com o sal do oceano e a lua se deita todas as noites para se admirar no espelho líquido — nasceu Yara.

Não nasceu como nascem os mortais. Yara surgiu do próprio desejo das águas de governar a si mesmas.

Quando o trovão beijou o mar pela primeira vez e a lua derramou seu reflexo mais puro sobre as ondas, a água se abriu em silêncio sagrado. Dela emergiu uma criança de olhos claros como o amanhecer sobre o rio, cabelos dourados como o sol refletido na superfície tranquila e pele luminosa, moldada pela espuma e pela eternidade.

As entidades antigas — o Rio Ancião, a Correnteza Vermelha e o Abismo Sem Nome — reconheceram naquele instante: aquela não seria apenas uma sereia.

— Ela será rainha — sussurrou o mar.

— Ela será lei — respondeu o rio.

— Ela será tentação e destino — ecoou o abismo.

Yara cresceu entre correntes e mistérios. Aprendeu cedo que a água pode ser suave como um carinho… ou implacável como a morte. Seu canto não era apenas belo: era verdade. Quem o escutava via seus desejos mais profundos refletidos como imagens na superfície das águas.

Homens fortes largavam as armas ao ouvir sua voz. Mulheres sábias esqueciam promessas antigas. Reis ajoelhavam-se sem entender por quê.

Mas Yara não seduzia por crueldade. Seduzia porque era soberana do desejo.

Ao atingir sua plenitude, as águas se ergueram em um ritual jamais repetido. Corais formaram um trono vivo; algas tornaram-se véus reais; criaturas abissais guardaram seus domínios. Sobre sua fronte, a lua traçou uma coroa invisível — vista apenas por quem pertence às águas.

Assim foi proclamada:

Yara, Rainha das Águas, Senhora dos Rios, Imperatriz do Abismo e Guardiã dos Segredos Afogados.

Mas toda rainha precisa um mundo

Autor: Samuel Rocha de Lima

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