
UGC: o que é, como as marcas usam e como ser UGC Creator
Veja os tipos de UGC, a diferença para UGC Creator e influenciador, como as marcas usam esse conteúdo e como começar a trabalhar como UGC Creator.

O que veremos nesse post:
UGC é a sigla de user generated content, ou conteúdo gerado pelo usuário: qualquer conteúdo sobre uma marca, produto ou serviço criado por clientes e usuários, e não pela própria empresa. Avaliações em e-commerces, fotos marcando a marca, vídeos de unboxing e depoimentos são exemplos. O UGC funciona porque soa como a opinião de uma pessoa comum, e não como propaganda.
Com o tempo, o formato virou profissão. O UGC Creator é quem grava vídeos e fotos com essa linguagem espontânea a pedido das marcas, que pagam pelo conteúdo, e não pelo número de seguidores de quem cria.
O que é UGC (conteúdo gerado pelo usuário)?
O termo user generated content se popularizou em meados dos anos 2000, quando a internet passou a permitir que qualquer pessoa publicasse opiniões, fotos e vídeos, e as marcas perceberam que essas publicações influenciavam a decisão de compra de outras pessoas. Desde então, o UGC deixou de ser só um efeito colateral das redes e virou estratégia de marketing.
Na prática, o UGC funciona como o boca a boca do ambiente digital: antes de comprar, muita gente procura o que outros consumidores dizem sobre o produto. Por isso, ele atua como prova social, mostrando que outras pessoas já compraram, usaram e aprovaram.
O UGC pode surgir de forma espontânea, quando um cliente publica por conta própria, ou ser incentivado e até encomendado pela marca. Além de clientes, parceiros, funcionários e fornecedores também podem gerar conteúdo sobre um negócio.
Tipos e exemplos de UGC
Os tipos mais comuns de UGC são avaliações, depoimentos, fotos e vídeos de uso, unboxings, tutoriais, comparações e publicações com hashtags de campanhas. Cada formato tem um papel diferente na jornada de compra:
| Tipo de UGC | Exemplo | Onde costuma aparecer |
|---|---|---|
| Avaliações e notas | Comentário com estrelas na página do produto | E-commerces, Google, apps |
| Depoimentos | Vídeo de um aluno contando o que mudou depois de um curso | Páginas de vendas, redes sociais |
| Fotos de uso | Cliente usando a roupa que comprou | Instagram, páginas de produto |
| Unboxing | Vídeo abrindo a embalagem pela primeira vez | TikTok, Reels, YouTube |
| Tutoriais e demonstrações | “Como eu uso este produto na minha rotina” | Vídeos curtos, anúncios |
| Comparações e reviews | Antes e depois, ou produto A x produto B | Vídeos curtos, blogs |
| Perguntas e respostas | Clientes tirando dúvidas uns dos outros | E-commerces, comunidades |
| Posts de campanha | Fotos com a hashtag de uma ação da marca | Redes sociais |
UGC, UGC Creator e influenciador: qual a diferença?
O UGC espontâneo é feito por clientes, sem pagamento; o UGC Creator é pago para criar conteúdo com essa linguagem para a marca usar; e o influenciador é pago principalmente pelo alcance e pela confiança da própria audiência. A tabela resume as diferenças:
| Critério | UGC espontâneo | UGC Creator | Influenciador |
|---|---|---|---|
| Quem cria | Cliente ou usuário | Criador contratado | Criador com audiência própria |
| É pago? | Não (às vezes com incentivo, como cupom) | Sim, pelo conteúdo entregue | Sim, principalmente pelo alcance |
| Precisa de seguidores? | Não | Não | Sim |
| Onde é publicado | Nos perfis do cliente ou em avaliações | Nos canais e anúncios da marca | No perfil do influenciador |
| Controle da marca | Baixo | Alto (segue um briefing) | Médio |
| Uso principal | Prova social e avaliações | Anúncios, páginas de produto, redes da marca | Alcance e reconhecimento |
Na prática, as fronteiras se misturam: um influenciador pode produzir conteúdo no formato UGC, e um UGC Creator pode crescer até ter audiência própria. Para entender o trabalho de quem produz conteúdo em geral, veja o que faz um criador de conteúdo digital.
Por que o UGC funciona?
O UGC funciona porque as pessoas confiam mais na experiência de outros consumidores do que no discurso da marca. No Brasil, as avaliações de consumidores são o formato que mais pesa na decisão de compra on-line para 43,5% das pessoas, à frente de vídeos curtos (21,5%), segundo o estudo O Mapa da Busca no Brasil 2026, da Optimiza, divulgado pela Central do Varejo.
O formato também importa. Segundo o Opinion Box, fotos que mostram o produto em uso no dia a dia são as que mais geram confiança (70%), e vídeos com edição leve transmitem mais confiança (43%) do que os muito produzidos. É exatamente a estética do UGC.
Para a psicóloga e neurocientista Gislene Isquierdo, especialista em comunicação e oratória, gerar conexão é uma das bases da comunicação persuasiva:
“A verdade que você leva, o olhar que você passa, o tom da sua voz, aí é único, e aí você gera muita conexão, então gere muito valor através da sua verdade, da sua autenticidade, que você vai gerar muito valor”, explicou a especialista em entrevista no quadro Além do FIRE.
Além da confiança, o UGC traz outros benefícios para as marcas:
- mais alcance, porque cada cliente que publica leva a marca para a própria rede de contatos;
- relacionamento mais próximo com o público-alvo, que se sente parte da comunidade;
- custo menor de produção, já que parte do conteúdo vem dos próprios clientes;
- ideias e dados sobre o que o público valoriza, úteis para ajustar produtos e mensagens;
- apoio ao SEO, porque avaliações e perguntas criam conteúdo novo e relevante nas páginas.
Sobre SEO, vale um detalhe técnico: desde 2019, o Google recomenda marcar com o atributo rel=”ugc” os links publicados por usuários em comentários e fóruns, para indicar que não foram colocados pela marca.
Como as marcas usam UGC?
As marcas usam UGC principalmente como prova social, em campanhas que estimulam os clientes a publicar, em anúncios com estética espontânea e nas páginas de produto e de vendas. Veja os usos mais comuns:
| Uso | Como funciona | Exemplo |
|---|---|---|
| Prova social | Avaliações, depoimentos e fotos de clientes perto do botão de compra | Galeria de fotos de clientes na página do produto |
| Campanhas com hashtag | A marca convida o público a publicar e reposta os melhores conteúdos | Desafio em vídeo curto com prêmio para os participantes |
| Anúncios | Vídeos de UGC Creators usados como criativos em anúncios pagos | Vídeo de 30 segundos mostrando o produto no dia a dia |
| Redes sociais | Repost de conteúdos de clientes, com crédito | Stories fixados com depoimentos |
| E-mail marketing | Depoimentos e fotos de clientes em e-mails de oferta | E-mail de carrinho abandonado com avaliações |
| Lançamentos e produtos digitais | Depoimentos de alunos e resultados da turma anterior | Vídeos de alunos na página de vendas de um curso |
Exemplos de campanhas de UGC
- Coca-Cola: em 2011, a campanha “Share a Coke”, lançada na Austrália, colocou nomes de pessoas nas embalagens, e os consumidores passaram a fotografar e publicar as garrafas com os próprios nomes e os de amigos;
- GoPro: a marca construiu boa parte da comunicação com vídeos gravados por usuários das câmeras e incentiva o envio de conteúdos com prêmios e seleções periódicas;
- Desinchá: a marca brasileira de chás costuma repostar publicações de clientes e já criou desafios em vídeo curto para estimular conteúdos espontâneos.
Como incentivar seus clientes a criar UGC?
Para gerar UGC, a marca precisa facilitar, pedir e reconhecer quem participa. Algumas formas de fazer isso:
- peça avaliações depois da compra, por e-mail ou mensagem, com um link direto;
- crie hashtags e desafios simples, com regras claras;
- ofereça recompensas, como descontos, brindes ou destaque no perfil da marca, sempre pela participação, e não em troca de uma avaliação positiva;
- reposte e agradeça publicamente quem cria conteúdo, sempre com autorização;
- abra espaço para perguntas e respostas entre clientes no site ou na comunidade da marca, o que fortalece o marketing de relacionamento;
- entregue uma boa experiência, porque nenhum incentivo substitui um produto que vale a pena recomendar.
Esse movimento também é uma forma de criação de conteúdo colaborativa, em que a marca organiza e o público participa.
Riscos e cuidados ao usar UGC
Usar UGC exige autorização, transparência e moderação. Os principais cuidados são:
- peça autorização antes de usar a foto, o vídeo ou o depoimento de um cliente, de preferência por escrito, e combine onde e por quanto tempo o conteúdo será usado;
- proteja os dados pessoais, ocultando nomes completos e informações sensíveis, como prevê a Lei Geral de Proteção de Dados;
- deixe claro quando o conteúdo é pago: o CONAR orienta que publicidade feita por criadores seja identificada como tal, por exemplo com “publi” ou “parceria paga”;
- nunca crie avaliações falsas nem peça notas positivas em troca de benefícios, o que engana o consumidor;
- responda críticas com respeito: comentários negativos mostram transparência e ajudam a melhorar o produto;
- modere o que aparece no site e nas redes, para evitar conteúdo ofensivo ou enganoso.
Como medir os resultados do UGC?
Os resultados do UGC são medidos pelo aumento de menções e interações no orgânico e pelo desempenho dos criativos nos anúncios. As principais métricas são:
- número de menções e conteúdos marcando a marca nas redes sociais;
- interação e engajamento nos perfis da marca e nos posts com UGC;
- número de compartilhamentos das publicações;
- taxa de conversão das páginas com avaliações e fotos de clientes, em comparação com as páginas sem;
- nos anúncios, taxa de cliques, retenção dos primeiros segundos do vídeo e custo por venda dos criativos UGC em relação aos criativos tradicionais;
- aumento das vendas a partir da adoção da estratégia.
Como ser UGC Creator: passo a passo
Para começar como UGC Creator, entenda o formato, escolha nichos, prepare um equipamento simples e monte um portfólio; depois, defina preços, procure os primeiros clientes e formalize o trabalho. Os quatro primeiros passos abaixo preparam a sua entrega, e os quatro últimos transformam essa habilidade em trabalho.
1. Entenda o formato e o que as marcas procuram
Antes de gravar, assista a muitos vídeos UGC e repare no padrão: linguagem de conversa, celular na mão, produto em uso real e uma mensagem clara. As marcas buscam conteúdos que pareçam uma indicação sincera, mas que tenham um objetivo, como gerar cliques ou vendas.
2. Escolha nichos com os quais você tem afinidade
Comece por nichos que você conhece e usa no dia a dia, como beleza, pets, casa, tecnologia, alimentação ou educação. Escolher um nicho deixa o portfólio mais coerente e facilita a conversa com as marcas.
3. Prepare um equipamento básico
Um celular com boa câmera, luz natural, um fundo organizado e áudio limpo já resolvem a maior parte dos trabalhos. Um tripé e um microfone de lapela simples melhoram bastante o resultado. Para editar, aplicativos como CapCut, InShot e Canva são suficientes no começo.
4. Aprenda a estrutura de um bom vídeo UGC
A maioria dos vídeos UGC segue uma estrutura simples: gancho nos primeiros segundos, problema, demonstração do produto e chamada para ação. Varie os formatos (unboxing, tutorial, depoimento, antes e depois) e estude roteiro de vídeo e copywriting para que o conteúdo tenha cara de espontâneo, mas não seja improvisado.
5. Monte um portfólio, mesmo sem clientes
Grave de três a cinco vídeos com produtos que você já tem em casa, como se fossem para marcas reais, e reúna tudo em um link fácil de acessar. Pode ser um perfil profissional nas redes, uma página em uma ferramenta de design ou uma pasta organizada. O que as marcas querem ver é se você domina o formato.
6. Defina seus preços e direitos de uso
Monte uma tabela com o preço por vídeo, pacotes e o valor adicional para uso em anúncios ou por mais tempo. Veja os fatores que mais influenciam o preço logo abaixo, em “Quanto ganha um UGC Creator”.
7. Encontre os primeiros clientes
Ofereça seu trabalho diretamente às marcas que você já consome, por e-mail ou mensagem, com o link do portfólio. Plataformas de trabalho freelancer, grupos de criadores e redes profissionais também reúnem oportunidades. Deixe claro na sua bio que você faz conteúdo UGC. Investir em networking com outros criadores e com profissionais de marketing também ajuda a ser lembrado quando surgir uma oportunidade.
8. Formalize o trabalho
Combine tudo por escrito: entregas, prazos, número de ajustes, onde o conteúdo será usado e por quanto tempo. Com trabalhos frequentes, abrir um CNPJ (como MEI, quando a sua atividade se enquadra) permite emitir nota fiscal, exigência comum de marcas maiores.
UGC é pago? Quanto ganha um UGC Creator?
Sim, o UGC Creator é pago pelo conteúdo que entrega, e não pelos seguidores. Não existe uma tabela oficial, mas guias de mercado de 2026 indicam que, no Brasil, iniciantes costumam cobrar de R$ 150 a R$ 500 por vídeo, e criadores com mais experiência, de R$ 500 a R$ 1.500 ou mais, segundo a Airfluencers. No mercado internacional, a média por vídeo fica entre US$ 150 e US$ 212, segundo a Influee.
Esses valores variam muito e não garantem renda: dependem da quantidade de trabalhos fechados, da experiência e da negociação. Os fatores que mais pesam no preço são:
- complexidade do vídeo, como duração, roteiro e edição;
- direitos de uso, já que o conteúdo usado em anúncios pagos ou por mais tempo costuma custar mais;
- exclusividade, quando a marca pede que você não trabalhe com concorrentes por um período;
- volume, porque pacotes mensais com vários vídeos costumam ter preço por vídeo menor;
- extras, como versões com ganchos diferentes, legendas ou o envio do material bruto.
No começo, alguns criadores aceitam permuta (o produto em troca do vídeo) para montar o portfólio. Vale como ponto de partida, mas o objetivo é passar a cobrar assim que houver bons exemplos para mostrar.
Vale a pena ser UGC Creator? Prós e contras
Vale a pena para quem gosta de criar vídeos, se comunica bem e topa tratar o trabalho como um negócio, com prospecção, prazos e negociação. Veja os principais prós e contras:
| Prós | Contras |
|---|---|
| Não exige seguidores nem equipamento caro | A renda depende de jobs avulsos e pode variar muito de um mês para outro |
| Trabalho remoto e com horários flexíveis | É preciso prospectar clientes o tempo todo |
| Baixo investimento para começar | Concorrência crescente e pressão por preços baixos |
| Desenvolve habilidades valorizadas (vídeo, roteiro, edição, comunicação) | Os primeiros trabalhos costumam pagar pouco |
| Permite trabalhar com marcas de vários nichos | Ajustes e prazos curtos exigem organização |
Muitos criadores usam o UGC como porta de entrada e depois migram para áreas como social media, produção de vídeo, direção criativa ou para o próprio negócio digital.
Como ganhar ainda mais dinheiro com UGC?
Quem já domina a linguagem do UGC (criar conteúdo autêntico, gravar, editar e se comunicar em vídeo) tem a habilidade certa para ensinar isso a outras pessoas, e transformar esse conhecimento em um produto digital com vendas recorrentes, em vez de depender só de trabalhos avulsos. Algumas possibilidades:
- um curso on-line ensinando a começar como UGC Creator, do primeiro vídeo à primeira proposta;
- um e-book com roteiros, ganchos, modelos de proposta e tabela de precificação;
- uma mentoria para revisar portfólios e ajudar iniciantes a fechar os primeiros clientes;
- modelos prontos, como roteiros, contratos e propostas comerciais;
- uma comunidade ou assinatura com novos roteiros, tendências e oportunidades todo mês.
O modelo faz sentido porque, diferentemente de um trabalho avulso, um produto pode ser vendido muitas vezes. Um estudo da FGV ECMI com criadores da Hotmart, plataforma all-in-one para creators que querem criar, vender e escalar produtos digitais, mostrou que quem tem a venda de produtos digitais como principal fonte de renda fatura em média R$ 11.959 por mês. O mesmo estudo apontou que apenas 4% dos produtores de conteúdo recebem patrocínio de marcas.
Para começar, o conselho do empreendedor Rodrigo Vinhas vale também aqui:
“Comece do jeito mais simples: um produto, um problema e uma solução. Fique nesse ciclo até conseguir um pouco de dinheiro. Depois, você começa a investir primeiro em você.”
Outra oportunidade é atender quem vende produtos digitais: produtores e afiliados usam vídeos no formato UGC em anúncios e páginas de vendas. Veja como criar um curso on-line e como criar um e-book para transformar o que você sabe em produto.
UGC: do conteúdo espontâneo ao seu próximo negócio
O UGC é a voz dos consumidores a favor das marcas: gera confiança, reduz custos e funciona em redes sociais, páginas de vendas e anúncios. Para quem cria, virou uma profissão acessível, que exige técnica, organização e negociação.
Se você já sabe criar conteúdo que convence, pode ir além dos jobs avulsos. Na Hotmart, você cria sua conta grátis e transforma o que sabe sobre UGC em um curso, e-book ou mentoria. Criar minha conta grátis
Dá para trabalhar com UGC sem mostrar o rosto?
Dá. Muitos briefings pedem só as mãos, a voz ou demonstrações do produto, como em tutoriais e unboxings. Mostrar o rosto amplia as oportunidades, mas não é obrigatório.
Qual a diferença entre UGC e branded content?
O branded content é o conteúdo produzido pela própria marca (ou por uma agência) para gerar valor ao público, com a identidade dela; o UGC tem a voz de um consumidor. Os dois podem ser usados juntos na mesma estratégia.
A inteligência artificial vai substituir o UGC?
A IA já ajuda a escrever roteiros, editar e até criar avatares, mas o valor do UGC está na experiência real de uma pessoa com o produto. Conteúdos que simulam experiências que não aconteceram podem enganar o consumidor, então a tendência é a IA apoiar o trabalho, e não substituir a autenticidade.
UGC Creator pode trabalhar para marcas de outros países?
Pode. Plataformas internacionais de UGC e o contato direto com marcas estrangeiras permitem receber em dólar ou euro. Para isso, ajuda dominar o idioma do público da marca e ter um portfólio com exemplos nesse idioma.



