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Cultura do cancelamento: o que é e quais as consequências

Quais são os limites da cultura do cancelamento? O que produtores de conteúdo têm a ver com esse assunto? Leia o nosso artigo para entender!

Cultura do cancelamento: o que é e quais as consequências

Palavras como “desconstrução” e “cancelamento” ganharam outros significados conforme as redes sociais e outros espaços digitais se tornaram ambientes para a discussão de temas que até então eram omitidos pela maioria das pessoas.

Além disso, hoje a informação chega por múltiplos canais. Se antes conferíamos todas as novidades do dia na televisão, no rádio ou no jornal diário, agora temos a imprensa, os influencers, as redes sociais, as transmissões ao vivo, entre outras fontes.

Tudo isso contribuiu para um debate mais amplo e cheio de variáveis. Posturas que eram toleradas em uma determinada época, hoje são combatidas. Quem é pego alimentando preconceitos corre sérios riscos de sofrer com a chamada cultura do cancelamento. Neste post, falaremos sobre o conceito e como ele se relaciona com criadores de conteúdo.

Boa leitura!

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O que é a cultura do cancelamento? Quais são as consequências de um cancelamento? Como a cultura do cancelamento se relaciona com criadores de conteúdo? Qual é o limite do cancelamento?
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O que é a cultura do cancelamento?

A palavra “cancelar” passou a ser utilizada na internet para definir reações a determinadas ações de algumas pessoas. Antes geralmente associada a eventos ou compromissos, o termo ganhou uma nova conotação, turbinada pela internet.

De modo geral, a pessoa cancelada é aquela que gera uma reação amplamente negativa após fazer, escrever ou dizer algo controverso. Não à toa, os alvos costumam ser pessoas públicas, uma vez que o que elas afirmam tem uma repercussão maior.

O caso Weinstein

Um divisor de águas foi o caso do produtor estadunidense Harvey Weinstein. Até 2017, ele era uma das figuras mais poderosas de Hollywood. Alguns dos filmes que contaram com o seu trabalho são alguns dos mais financeiramente bem-sucedidos da história:

  • trilogia “O Senhor dos Anéis”;
  • “Pânico”;
  • “Django Livre”;
  • “Shakespeare Apaixonado”;
  • “Pulp Fiction”;
  • entre muitos outros.

Leonardo DiCaprio, Julia Roberts, Jennifer Lawrence, George Clooney, Matt Damon… todos esses astros dependiam do “sim” de Harvey para emplacar projetos em Hollywood. Contudo, tudo mudou em 2017.

Nesse ano, mais de 80 mulheres denunciaram o produtor por assédio, estupro e outros crimes sexuais. Harvey Weinstein foi cancelado: ainda que não esteja preso — o que ainda pode ocorrer —, ele simplesmente não trabalha mais em Hollywood.

Essa reação das mulheres ficou conhecida pelo movimento MeToo, hashtag que se popularizou com o pedido feito por uma das denunciantes, Alyssa Milano, para que as pessoas que já tivessem sofrido abuso espalhassem o termo pelas redes.

Desde então, a cultura do cancelamento se expandiu. Não são apenas as famosas que sofrem os efeitos: um trabalhador que utilize suas redes sociais para destilar preconceito de gênero, por exemplo, pode acabar sendo demitido pela sua empresa.

Por outro lado, pessoas que não sejam totalmente desconhecidas e também não tenham tanto poderio financeiro como Harvey Weinstein também podem ser canceladas. Quase todo mundo que gosta de televisão se lembra de Karol Conká, a rapper que deu o que falar na edição de 2021 do Big Brother Brasil.

Conká teve diversas desavenças dentro do programa, geradas por alterações bruscas de humor e bullying com colegas de casa. A reação foi breve e incisiva: ela foi eliminada com 99,17% dos votos, uma rejeição jamais vista na história do programa — que já conta com mais de 20 anos de exibição.

Quais são as consequências de um cancelamento?

Em primeiro lugar, o cancelamento definitivamente não é bom. Você perde amizades, patrocínios, oportunidades profissionais, credibilidade, ou todos esses elementos juntos, dependendo de quem você seja e daquilo que fez.

As consequências são diversas, mas sempre resultam em algum prejuízo para a pessoa cancelada. Retomemos um exemplo similar ao que mencionamos no fim do tópico anterior: em suas redes sociais, pessoas costumam exibir informações sobre os locais nos quais elas trabalham.

Assim, alguém que foi flagrado postando algo racista em uma rede social, como o Facebook, pode ser demitido. Isso porque as pessoas que se sentirem incomodadas com a postagem podem acionar a empresa que emprega o autor do post.

A empresa demitirá o funcionário por uma ou mais razões. Pode ser pelo medo da repercussão, mesmo que o colaborador seja excepcionalmente talentoso, mas também pode ser pela total intolerância ao preconceito. O que importa, nesse caso, é que há uma reação coletiva a um comportamento nocivo.

Outra característica da cultura do cancelamento é que ela nem sempre é definitiva. Harvey Weinstein provavelmente nunca produzirá outro filme de relevância dentro de Hollywood, mas Karol Conká admitiu seus erros, buscou ajuda psicológica e recuperou, ao menos parcialmente, a sua reputação.

Ela continua criando música, conteúdo e suas redes sociais têm uma boa quantidade de seguidores: 727 mil no Twitter, por exemplo.

Como a cultura do cancelamento se relaciona com criadores de conteúdo?

Como produtores estão sempre escrevendo artigos, fazendo vídeos ou criando algum tipo de conteúdo para postar na internet, são especialmente suscetíveis ao cancelamento. Afinal, essas pessoas fazem escolhas na hora de publicar algo.

O modo como escrevemos, encadeamos as ideias e até mesmo os elementos visuais que utilizamos em nossos conteúdos dizem muito sobre nós mesmos. Pensemos em um texto sobre filmes que ganharam o Oscar de filme estrangeiro, por exemplo.

Como se sabe, o Brasil nunca conquistou a estatueta. Já fomos indicados, inclusive, com “O que é isso, companheiro” e “Cidade de Deus”, duas produções, ironicamente, do canceladíssimo Harvey Weinstein.

Quando uma pessoa decide produzir um conteúdo sobre o tema, as escolhas de elementos que farão parte do artigo podem dizer muito sobre os valores da pessoa que o escreveu.

Quando ela omite que o Brasil nunca recebeu o prêmio, as pessoas que lerem aquele texto podem concluir que esse detalhe não é relevante para quem assina o artigo. Talvez não seja o suficiente para gerar um cancelamento em massa, mas é algo que diz muito sobre quem produziu o conteúdo.

Pensemos em um exemplo mais extremo: alguém que resolve colocar no YouTube um vídeo que teorize que determinadas etnias são eticamente inferiores. Com a militância maciça e efetiva que temos hoje, essa pessoa provavelmente seria cancelada e teria até mesmo a sua conta suspensa na plataforma.

O que importa mesmo, para produtores, é criar conteúdos que sejam bem embasados e que respeitem as diferenças. Você pode tocar em teorias controversas, mas desde que estejam ancoradas em fontes confiáveis.

Isso não vale para conteúdos que desrespeitem diretamente os direitos humanos, como o exemplo de um vídeo que defenda ideias racistas ou preconceituosas.

Aí, o cancelamento não seria apenas uma opinião coletiva, mas uma defesa plenamente justificável. Dificilmente alguém que produz conteúdo e defende o racismo em seus posts conseguirá ganhar dinheiro com a sua atividade.

Qual é o limite do cancelamento?

Vale tudo para reforçar a sua presença digital e deixar seus clientes satisfeitos? Como um número cada vez mais expressivo de pessoas (principalmente as públicas) estão se policiando para evitar o cancelamento e suas consequências, o debate virtual tende a se tornar mais respeitoso e bem informado.

Por isso, o cancelamento caminha na linha tênue entre a denúncia de atitudes nocivas e o justiça feita com as próprias mãos, nesse caso, com os próprios dedos, a todo custo. Cancelar uma pessoa apenas “porque sim” é um ato de violência e causa danos sérios não só à reputação, mas também ao psicológico de quem é alvo.

Pessoas que reiteram atitudes preconceituosas, mesmo depois de serem alertadas sobre determinados pronunciamentos, são um exemplo benéfico dessa cultura, como é o caso do que acontece com o youtuber Monark — mesmo sendo alertado diversas vezes de que várias de suas falas são problemáticas, o comunicador insiste em suas ideias.

O próprio Weinstein recebeu conselhos de pessoas nesse sentido, mas preferiu se apoiar no seu poder — finito, como se viu depois.

O lado benéfico da cultura

A cultura do cancelamento também deu visibilidade a discursos que eram ridicularizados e levavam muitas pessoas ao sofrimento. A discussão sobre o bullying nas escolas, a objetificação das mulheres em propagandas de cerveja, identidade de gênero e outros casos apontam nessa direção.

Quando o cancelamento é feito como crítica social, ele possibilita o avanço coletivo. Quando ele é fruto apenas de uma vingança pessoal (quando um tuíte antigo e desrespeitoso é resgatado, ainda que a pessoa não se pronuncie mais daquela forma), temos uma prática danosa.

O limite ultrapassado

Do mesmo modo, a cultura do cancelamento ultrapassa um limite quando a pessoa cancelada não pode nem mesmo se retratar — ou quando as denúncias são tão constrangedoras a ponto de o dano ser irreversível. Nesse caso, evidências falsas ou circunstanciais podem acabar com a carreira de alguém que não fez por merecer o sofrimento.

Como vimos no artigo, a cultura do cancelamento se manifesta de diversas formas. Ela ajudou a denunciar práticas até então pouco discutidas na sociedade, como o assédio sexual e a objetificação das mulheres. Criadores de conteúdo devem levar essas informações em conta na hora de produzir seus materiais, principalmente quem deseja debater temas controversos ou se tornar uma autoridade na internet.

Gostou do artigo e quer saber mais sobre como ganhar dinheiro online? Então, não deixe de ler nosso post sobre ideias para trabalhar na internet!