Negócio criativo: criando oportunidades de empreender

Carreira no mundo digital

Negócio criativo: criando oportunidades de empreender

Que tal trabalhar com a criação de conteúdo, de forma profissional e empreendedora? Aprenda como funcionam os negócios criativos e como você pode entrar para esse mercado.

Letícia Ronche

28/12/2023 | Por Letícia Ronche

O termo “negócio criativo” se refere não apenas àquilo que surge de um lugar disruptivo e inovador, mas também às formas de empreender a partir da criação de conteúdo - que é sobre transformar o conhecimento que você tem em produtos e serviços.

O caminho comum de quem quer empreender é considerar opções de franquias, abrir o próprio escritório ou loja ou até prestar consultoria

O que chamamos de negócio criativo, a partir da criação de conteúdo, está próximo dessa parte de consultoria, mas nem sempre é a primeira ideia que vem à cabeça de quem sonha em ser o próprio chefe.

Esse modelo vem do que chamamos de “economia criativa”, creator economy, ou até economia dos criadores, que se refere a todo o ecossistema de profissionais dedicados à criação de conteúdo online, seja nas redes sociais ou em forma de infoprodutos.

“Creator Economy parece um nome bonito pra uma coisa que já existe, mas não é só um nome bonito, é uma realidade que tem muita oportunidade pra gente não só poder falar do que a gente gosta, mas viver das nossas paixões e é isso que a gente vai falar aqui, como a gente transforma isso em negócio”, comentou Rafa Lotto, sócia da YouPix, empresa referência na creator economy, em sua palestra no Fire Festival.

Aqui, não estamos falando somente do criador de conteúdo, mas também de copywriters, gestores de tráfego, social media, relações públicas, designers, entre tantos profissionais envolvidos.

Com isso, abre-se espaço para empreender em diferentes áreas e nichos!

Por isso, hoje vamos falar sobre essa possibilidade para quem quer empreender em 2024 e, melhor, podendo começar em paralelo com outras atividades que gerem receita.

Ah, algumas dicas daqui vieram diretamente do Report de Tendências do Fire Festival 2023, que você pode baixar clicando abaixo:

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O que é um negócio criativo?

Existem duas interpretações para negócio criativo. A primeira é mais literal: algo disruptivo, uma solução nova e que demonstra maior criatividade.

E tem o conceito que estamos tratando aqui, da criação do conteúdo, do conhecimento como fonte de renda, algo a se vender.

É muito fácil pensar em uma carreira na internet, tendo como cenário a crescente quantidade de influenciadores, tiktokers e youtubers de sucesso.

Justamente deste lugar que vem diversas provocações acerca de um negócio criativo.

“Rentabilizar a sua criação de conteúdo deve ser o foco do seu trabalho, senão você não consegue sustentar ele por muito tempo, muita gente desiste no meio do caminho porque o foco é ganhar mil seguidores, é conseguir um contrato com marca ao invés de pensar modelo de negócio”, alertou Rafa.

Pois não é somente sobre criar um perfil nas redes sociais e esperar ser descoberto e contar com parcerias com marcas.

É sobre pensar em um modelo de negócios que funcione de maneira sustentável. O que também não é somente ir ao mercado de infoprodutos, desconsiderando o papel do conteúdo nas redes sociais.

Ao falar de negócio criativo, em transformar criatividade e conteúdo em negócio, precisamos focar nesses dois pontos: o conteúdo e o negócio.

Ou seja, ter um bom posicionamento, autoridade digital, parcerias com marcas e outros creators e um modelo de negócios consistente.

“Não estou falando que vocês não têm que usar o feeling de vocês, mas é botar um pouco de planejamento e modelo de negócio para pensar conteúdo”, compartilhou a especialista.

VÍDEO: YOUPIX no Fire Festival 2023 – Programação completa 24/08

Quais profissionais podem se tornar empreendedores por meio de um negócio criativo?

A parte boa é que este é um mercado aberto com alto potencial para diferentes nichos, profissionais e modelos de negócios.

Separamos aqui alguns dos papeis que existem na economia dos criadores:

Especialista

A pessoa especialista aqui é quem detém o conhecimento técnico. Então, se a ideia de negócio criativo for uma comunidade voltada para jardinagem, especialista é quem tem o conteúdo sobre jardinagem.

Essa pessoa não precisa conhecer de técnicas de conteúdo, redes sociais, lançamento ou criação de infoprodutos, apesar de ser recomendado.

O ideal é que tenham pessoas conhecedoras dessas áreas para auxiliar.

Sendo assim, especialista é quem vai criar o conteúdo, seguindo as melhores orientações, tendo como objetivo a conquista da autoridade, o alcance das publicações, visando ampliar a audiência, e a estrutura dos infoprodutos a serem lançados.

Em um modelo de negócios em que o especialista e o estrategista são pessoas diferentes, o primeiro é quem aparece, quem brilha e tem destaque.

Pessoas de qualquer área ou nicho podem ser especialistas. Essa é a parte legal. Você pode ser especialista ensinando algo do seu trabalho ou até de um hobby ao qual você se dedica.

O mercado está aberto para as mais diferentes áreas, editorias e abordagens.

Estrategista de lançamentos

Falando do modelo de negócios do mercado de infoprodutos, um papel bastante conhecido é de estrategista de lançamentos.

E essa função é mais visada quando se trabalha no modelo de fórmula de lançamento, em que há um trabalho massivo de aquecimento de base com o produto disponível para venda por um período curto de tempo.

Mas também é interessante ter pessoas que entendem de lançamentos mesmo trabalhando com perpétuo, lançamento semente, relâmpago ou interno.

Esse profissional não precisa entender do conteúdo do produto a ser lançado, mas da audiência e de estratégias de marketing digital.

VÍDEO: O Pedro é o especialista perfeito por este motivo… | Priscila Zillo e Pedro Sobral l Além do Fire

Profissionais de marketing digital

Reunimos neste tópico diferentes profissionais que são acionados na creator economy. Às vezes como freelancer, às vezes dentro de uma agência de lançamentos.

São eles:

  • Gestor de tráfego: pessoa responsável por gerenciar campanhas e anúncios para diferentes etapas do funil – de alcançar novos públicos a fechar vendas.
  • Videomaker: a pessoa, ou as pessoas, responsável por gravar e editar os vídeos para redes sociais e anúncios.
  • Copywriter: aquele que tem o poder de persuasão para escrever conteúdo de anúncios em forma de roteiro ou texto corrido, páginas de vendas e criação de pitch ao especialista.
  • Social media: alguém que vai auxiliar principalmente com a estratégia de conteúdo orgânico nas redes sociais do especialista, fazendo análises constantes e se atualizando sobre as novidades da plataforma.
  • Designer: mais do que nunca o conteúdo precisa chamar atenção em pouco tempo. É preciso um profissional para desenvolver identidade visual e as artes usadas em todos os canais.

Afiliado

Afiliado é a pessoa que trabalha focada em vendas e recebe uma comissão pelas transações realizadas.

Muitos influenciadores digitais monetizam o seu trabalho com a afiliação. Assim, usam o seu conteúdo e audiência para divulgar produtos e serviços de terceiros.

Essa é uma forma de gerir um negócio criativo! Isso porque é possível se afiliar a diferentes produtos físicos ou digitais, alinhando à proposta do criador de conteúdo e gerando consistência.

Por exemplo, um creator que fala de maquiagem e faz review de produto, pode disponibilizar um link de afiliado e ganhar uma comissão para cada seguidor que comprar usando aquele link. Ou então divulgar um curso de automaquiagem de algum criador parceiro e também receber por venda.

E quem é creator e tem o próprio produto digital pode contar com o marketing de afiliados para ampliar as fontes de tráfego e as chances de sucesso do negócio!

VÍDEO: AFILIADOS HOTMART: como atrair OS MELHORES para divulgar seu produto digital?

Como empreender com criação e transformar criatividade em negócio?

Todas as pessoas citadas aqui podem e devem ser criadoras de conteúdo – não só o especialista.

O presente já é digital e é preciso usar as plataformas de conteúdo a seu favor, seja você um estrategista, gestor de tráfego ou até designer. 

Há espaço para todos na creator economy e esses espaços devem ser ocupados. Essa é a maior chance de sucesso, mesmo que trabalhando da forma mais tradicional possível.

Mas, ao falar de negócios criativos e o empreendedorismo, é preciso pensar para além do conteúdo e da “parte legal”.

“Eu acho que é para repensar o que é o papel desse empreendedor, porque o influenciador é o empreendedor, é entender como ele olha essa carreira dele. Porque muita gente começa e de repente estoura na rede, será que a pessoa está tendo o clique de entender que ‘estourei, o que é que eu faço com isso agora? Como eu transformo essa minha carreira?’ Porque você já está grande na internet, ou pelo menos muita gente tem visibilidade. Quando a gente começa a entrar em critérios muito mais administrativos, a gente precisa entender que o influenciador tem que criar um planejamento estratégico de carreira, se olhando como empreendedor”, alertou Vitor Bastos, fundador da Agência Tambor, em sua participação no Fire Festival.

Alguns passos para começar são:

1. Escolher uma linha editorial

Então, para empreender em um negócio criativo é preciso pensar no conteúdo que você quer oferecer, naquilo que te move, que as pessoas te acionam para saber mais e a partir daí estruturar um caminho para publicar seu conteúdo.

Essa parte merece um pouco mais de atenção do que parece, pois é preciso pensar na transformação que você vai oferecer e é preciso fazer tudo com base na sua audiência.

Não é só sobre o que você gosta de falar, mas sobre o que a sua audiência vai gostar de ouvir e a diferença entre essas duas coisas muitas vezes está apenas na abordagem do tema.

2. Saiba como você vai monetizar o seu conteúdo

São várias as formas disponíveis:

  • Tem as tradicionais “publis”, em que marcas usam o seu canal para fazer divulgação. Esse acaba sendo o caminho mais almejado, porém o mais difícil e menos sustentável.
  • Monetização das próprias plataformas: o YouTube e o TikTok pagam os creators pelas visualizações, porém esse não é um recurso aberto para todos e o valor recebido pode não ser tão atrativo tendo em vista todo o trabalho para conseguir altos volumes de views. Sem falar que essa monetização pode acontecer paralelamente.
  • Programa de Afiliados: como falamos no tópico anterior, um caminho bastante consistente para gerar receita com o seu conteúdo nas redes sociais é por meio de links de Afiliados, em que você ganha uma comissão por venda feita.
  • Criação de infoprodutos: o modelo que proporciona mais autoridade dentro do nicho e resultados financeiros. Ao criar um curso online, ebook, ou comunidade, por exemplo, você pode trabalhar com a própria divulgação, aquecendo a sua audiência constantemente e gerando vendas todos os dias ou em lançamentos.

É possível, e recomendado, misturar todas essas opções para ter ainda mais sucesso.

Trabalhar com conteúdo online é instável, portanto diversificar as fontes de renda pode ajudar a tornar o negócio criativo mais lucrativo e sustentável.

3. Formalize o seu negócio

O próximo passo é formalizar legalmente. Afinal, se você vai receber em dinheiro, vai precisar emitir nota fiscal pelo seu trabalho.

“A gente sabe que tem algumas questões ainda relativas a falar uns termos meio técnicos, mas a CNAE, a códigos do influenciador, da pessoa que empreende no digital, não tem nada muito específico, e aí por isso ela acha que simplesmente ela não tem que se formalizar”, alertou Naíra Cansanção, analista de Mercado no Sebrae/RJ, em sua participação no Fire Festival 2023.

Durante a Banca do Empreendedor, no palco YouPix, a especialista falou sobre como um dos principais e primeiros erros de quem empreende na internet é justamente não se formalizar, não ter um CNPJ, ou então abrir um MEI, esquecendo que existe um limite de faturamente nesse modelo de empresa.

“O MEI que tem um teto aí de R$ 81 mil de faturamento ano, isso dá uma base de 6.500 por mês. Então ele fecha um contrato de um mês de R$ 6 mil, no outro de R$ 10 mil, aí no outro de R$ 15 mil. Quando chega no final do ano, ele estourou e vai seguindo a vida como se nada tivesse acontecendo. E aí, quando a Receita vem e fala ‘amiguinho, então, você não é mais MEI, você já virou microempresa’, isso já vai te trazer outras responsabilidades. E eu falo, ‘gente, crescer é legal, o MEI é um primeiro passo da escadinha, mas todo mundo tem que se organizar’”, reforçou Naíra.

Portanto, quem quer criar um negócio criativo tem que pensar nisso ao abrir uma empresa para estar sempre regulamentado.

4. Saiba delegar quando for necessário

Profissionalização significa também contar com outras pessoas. Calma, não é sobre abrir um escritório com um time multidisciplinar, mas de contratar parceiros de negócios para te ajudar com aquilo que você domina.

No caso da própria formalização, ter um contador pode te ajudar a estar sempre regularizado. 

Para ter mais contratos fechados, ter uma assessoria pode ajudar também, assim como todos os profissionais que mencionamos antes neste texto.

“Delegue algumas coisas que você não sabe fazer. Eu odeio fazer contabilidade. Eu odeio abrir uma planilha. Então assim, quem faz melhor do que eu? Tem muita gente que faz melhor do que eu. Eu vou contratar. E aí eu resolvo esse problema. Eu vou me ocupar com outra coisa. Criar conteúdo, produzir, ter ideias, que eu sou especialista nisso. Eu não sou especialista em contabilidade”, compartilhou Ramon Campos, infoprodutor que participou da conversa no palco YouPix no Fire 2023.

Prepare-se sempre para o crescimento do seu negócio criativo

Na internet, parece que o sucesso é um acidente para a maioria das pessoas, mas não é bem assim e nem deve ser.

Quem quer viver disso, precisa de planejamento constante, de conteúdo, financeiro, de negócios… É uma verdadeira empresa e deve ser tratado com tal. 

E não se engane, muito creator por aí faz parecer que o story foi espontâneo, que a participação no podcast foi inusitada e que aquele reels foi feito de um insight momentâneo, mas tudo é muito bem mapeado e com intenção.

Portanto, se você quer entrar para a economia dos criadores, deve se tratar com essa seriedade desde o primeiro momento.

Para saber mais, confira o blog post Como expandir meu negócio e lidar com o crescimento dele feito também com o depoimento dos grandes nomes que passaram pelos palcos do Fire Festival 2023!