Marketplace: carrinho de compras com um ícone de produto dentro saindo de uma tela de um celular representando a venda e compra online

Empreendedorismo digital

O que é marketplace: como funciona, tipos, vantagens e como vender

Veja como um marketplace funciona, quais são os tipos, os prós e contras de vender nele e por onde começar, inclusive com produtos digitais.

Lara Azeredo

14/10/2026 | Por

Marketplace é uma plataforma digital em que diferentes vendedores oferecem seus produtos ou serviços para os mesmos compradores, enquanto a plataforma cuida da vitrine, do pagamento e das regras de funcionamento. Ele não é a loja virtual de uma única marca: quem vende paga para estar ali, geralmente com uma comissão por venda.

O modelo cresce junto com o comércio eletrônico. O e-commerce brasileiro faturou R$ 235,5 bilhões em 2025, alta de 15,3% em relação ao ano anterior, com 94,2 milhões de compradores, segundo a Abiacom, em dados divulgados pelo Mercado & Consumo.

E, no fim deste guia, a gente mostra que o conceito também vale para produtos digitais.

O que é marketplace?

A palavra marketplace vem da junção de dois termos em inglês, market (mercado) e place (lugar): é, literalmente, um lugar de mercado. O conceito é antigo e familiar, como uma feira, um mercado municipal ou um shopping, só que levado para o ambiente digital.

O papel central do marketplace é o de intermediário. No modelo puro, ele não precisa fabricar nem estocar o que vende: conecta quem quer vender a quem quer comprar e cobra pela intermediação. Isso explica por que virou uma das portas de entrada mais comuns para negócios online.

Como funciona um marketplace?

Um marketplace funciona a partir de três pilares: a plataforma, os vendedores e os clientes. Cada um tem um papel:

  • a plataforma intermedia as transações, define as regras e oferece dois acessos, um para vendedores e outro para clientes;
  • os vendedores (também chamados de sellers) cadastram produtos, preços e promoções e respondem pelas informações do que vendem;
  • os clientes navegam em um catálogo muito maior do que o de uma loja comum, comparam preços e compram sem sair da plataforma.

Na prática, uma venda costuma seguir este caminho:

  1. o vendedor cadastra o produto na plataforma;
  2. o cliente encontra o produto por busca, categoria ou anúncio;
  3. o pagamento é feito dentro do marketplace;
  4. o produto é entregue pelo vendedor ou pela própria plataforma, conforme o modelo;
  5. a plataforma repassa o valor ao vendedor, descontando a comissão e as taxas.

A logística varia bastante. Em alguns marketplaces, cada vendedor envia seus pedidos; em outros, a plataforma oferece armazenagem e entrega como serviço. Para quem administra a plataforma, o trabalho envolve atrair compradores com anúncios e conteúdo, acompanhar métricas, garantir a qualidade dos vendedores e cuidar da fidelização dos clientes.

Marketplace x loja virtual própria: qual a diferença?

A loja virtual própria (o e-commerce da marca) vende só os produtos daquela empresa; o marketplace reúne vários vendedores na mesma plataforma. Um é como uma loja de rua; o outro, como um shopping.

Critério Loja virtual própria Marketplace
Quem vende Uma única marca Vários vendedores
Catálogo Só os produtos da marca Produtos de muitas lojas
Visitantes Precisa atrair por conta própria A plataforma já tem público
Custos principais Plataforma, site, marketing Comissões e taxas por venda
Controle da marca Total Limitado às regras da plataforma
Relação com o cliente Direta Mediada pela plataforma

No e-commerce, a relação é B2C (business to consumer), direto da empresa para o consumidor. No marketplace, é comum o modelo B2B2C: a empresa vende para o consumidor por meio de outra empresa, a dona da plataforma. Se você está decidindo entre os dois, veja como escolher uma plataforma de e-commerce.

Quais são os tipos de marketplace?

Os marketplaces podem ser classificados pelo público que atendem, pela variedade do catálogo e pelo tipo de oferta. Os três critérios se combinam: um marketplace pode ser B2C, horizontal e de produtos físicos ao mesmo tempo.

Por público

  • B2C (empresa para consumidor): empresas vendem para pessoas físicas, o modelo mais comum no varejo online;
  • B2B (empresa para empresa): empresas vendem para outras empresas, como fornecedores de insumos e equipamentos;
  • C2C (consumidor para consumidor): pessoas físicas vendem entre si, como em plataformas de itens usados.

Por variedade do catálogo

  • horizontal: reúne produtos de muitas categorias, de eletrônicos a roupas;
  • vertical ou de nicho: foca em um segmento, como artesanato, moda, livros ou peças automotivas.

Por tipo de oferta

  • produtos físicos, que exigem estoque e entrega;
  • serviços, como transporte, hospedagem, delivery de comida e contratação de profissionais;
  • produtos digitais, como cursos online, e-books e mentorias, entregues pela internet, sem estoque nem frete.

Vantagens e desvantagens de vender em marketplace

As principais vantagens do marketplace são visibilidade e baixo custo inicial para quem vende, e variedade e comodidade para quem compra; as desvantagens são as comissões, a concorrência por preço e a pouca fidelização à sua marca. Para pequenos e médios empreendedores digitais, é uma forma de ganhar espaço no mercado online sem montar tudo do zero.

Vantagens para quem vende

  • acesso a um público que já frequenta a plataforma, sem precisar atrair cada visitante;
  • credibilidade emprestada da marca do marketplace, o que ajuda na primeira compra;
  • aproveitamento das ações de marketing digital feitas pela própria plataforma;
  • baixo custo inicial, sem desenvolver site próprio nem sistema de pagamento;
  • relatórios para acompanhar vendas e KPIs.

Vantagens para quem compra

  • muitas opções em um só lugar, com comparação de preços, marcas e avaliações;
  • pagamento centralizado e intermediado pela plataforma;
  • possibilidade de comprar de vários vendedores em uma mesma visita.

Desvantagens e cuidados para quem vende

Vender em marketplace também tem custos e riscos. Os principais cuidados são:

  • comissões e taxas, que podem comprometer o lucro se o preço não for bem calculado;
  • concorrência direta com outros vendedores na mesma página, muitas vezes decidida pelo preço;
  • pouca lembrança da sua marca, porque o cliente tende a lembrar que comprou “no marketplace”, e não em qual loja;
  • dependência das regras, do algoritmo e das mudanças da plataforma;
  • acesso limitado aos dados dos clientes, o que dificulta o relacionamento depois da venda;
  • risco de concentrar todo o faturamento em um único canal.

Por isso, muitos negócios combinam o marketplace com canais próprios, como site, redes sociais e e-mail. Veja os principais canais de venda para montar essa combinação.

Quanto custa vender em um marketplace?

O custo de vender em um marketplace depende do modelo de cobrança de cada plataforma, que costuma combinar comissão por venda com outras taxas. Os modelos mais comuns são:

  • comissão sobre cada venda, com percentual que varia por categoria de produto e tipo de anúncio;
  • mensalidade ou plano de assinatura para ter mais recursos ou destaque;
  • taxa fixa por item vendido, em geral para produtos de valor mais baixo;
  • custos de frete e logística, quando a entrega passa pela plataforma;
  • anúncios patrocinados dentro do marketplace, para aparecer nas primeiras posições.

Como esses valores mudam com frequência, confira sempre a página oficial do marketplace antes de entrar. E faça a conta da margem de cada produto já com todas as taxas: é comum descobrir que um item que parecia lucrativo mal se paga.

Como vender em um marketplace: passo a passo

Para vender em um marketplace, defina o que vender e onde, organize a parte fiscal, cadastre os produtos com um preço que cubra todas as taxas e cuide da reputação. Os três primeiros passos são os que mais evitam prejuízo: é ali que você decide o que vender, onde vender e se está tudo certo com a parte fiscal.

1. Defina o que vai vender e para quem

Escolha produtos com demanda e que você consiga entregar com qualidade. Pesquisar o que já vende bem na plataforma ajuda a entender preços, concorrência e o perfil de quem compra.

2. Escolha o marketplace certo

Compare público, categorias aceitas, custos e exigências de cada plataforma. Um marketplace de nicho pode trazer menos visitantes, mas compradores mais interessados no que você vende.

3. Organize a parte fiscal do negócio

Confira se o marketplace exige CNPJ e emissão de nota fiscal para a sua categoria. Estar formalizado também facilita receber pagamentos e crescer com segurança.

4. Cadastre os produtos com boas fotos e descrições

Títulos claros, fotos de qualidade e descrições completas ajudam o produto a aparecer nas buscas da plataforma e a convencer o cliente. Inclua medidas, materiais, prazos e tudo o que responde às dúvidas mais comuns.

5. Defina o preço considerando todas as taxas

Some custo do produto, comissão, taxas, frete e impostos antes de definir o preço. Assim, você evita vender muito e lucrar pouco.

6. Cuide do atendimento e da reputação

Responder rápido, cumprir prazos e resolver problemas melhora as avaliações, e boas avaliações aumentam as vendas. Em muitos marketplaces, a reputação também influencia a posição dos seus anúncios.

7. Acompanhe os resultados e divulgue

Use os relatórios da plataforma para ver o que vende mais e ajustar preços, anúncios e estoque. Divulgar seus anúncios nas redes sociais e combinar diferentes estratégias de vendas ajuda a não depender só do tráfego do marketplace.

Principais marketplaces do Brasil

Os principais marketplaces do Brasil, como Mercado Livre, Amazon, Shopee e Magalu, vendem produtos de várias categorias, mas o modelo também aparece em nichos, serviços e produtos digitais. Veja os mais conhecidos:

Marketplace Tipo O que conecta
Mercado Livre Horizontal, B2C e C2C Vendedores e compradores de produtos de quase todas as categorias
Amazon Horizontal, B2C Loja própria e vendedores parceiros
Shopee Horizontal, B2C e C2C Vendedores de produtos variados, com foco em preço
Magalu Horizontal, B2C Loja própria e vendedores parceiros
Dafiti Vertical (moda) Marcas e lojas de moda e seus compradores
iFood Serviços Restaurantes, entregadores e clientes
Uber Serviços Motoristas e passageiros
Airbnb Serviços Anfitriões e hóspedes
Hotmart Produtos digitais Produtores, afiliados e compradores de cursos, e-books e mentorias

Existe marketplace de produto digital?

Sim. O conceito de marketplace também vale para infoprodutos: um marketplace de produtos digitais reúne cursos online, e-books, mentorias e assinaturas em uma mesma vitrine, com entrega automática pela internet, sem estoque e sem frete.

O modelo combina bem com o mercado digital: o mesmo produto pode ser vendido muitas vezes, sem repor estoque a cada venda.

O Marketplace da Hotmart, plataforma all-in-one para creators que querem criar, vender e escalar produtos digitais, funciona assim: quem quer comprar encontra cursos, e-books, mentorias e outros produtos digitais, e quem quer ser afiliado encontra produtos para divulgar e ganhar comissões. Na prática, ele conecta três perfis:

  • produtores, que cadastram seus produtos, definem preço e comissão e usam a estrutura da plataforma para vender, receber e entregar o conteúdo;
  • afiliados, que escolhem produtos na vitrine para divulgar e recebem comissão por venda, usando indicadores como a temperatura, que mostra quais produtos estão vendendo bem;
  • compradores, que encontram produtos por categoria, pagam no checkout e acessam o conteúdo na área de membros.

Uma diferença importante em relação aos marketplaces de produtos físicos é o modelo de cobrança: não há mensalidade nem taxa para cadastrar o produto, e a Hotmart cobra uma taxa apenas quando a venda acontece. Para quem quer começar divulgando produtos de outras pessoas, veja como escolher um bom produto para se afiliar.

Comece a vender pela internet

O marketplace é um jeito prático de começar a vender online: a plataforma já tem público e estrutura, e você se concentra no produto e no atendimento. O cuidado está em escolher o canal certo, fazer as contas com todas as taxas e não colocar todas as vendas em um lugar só.

Se você tem conhecimento para compartilhar, pode vender pela internet sem estoque nem frete. Na Hotmart, você cria sua conta grátis e coloca seu produto digital na vitrine. Criar minha conta grátis.

É seguro comprar em marketplace?

Em geral, sim, desde que você confira a reputação do vendedor, leia as avaliações e pague sempre pela própria plataforma. Nas compras pela internet, o consumidor tem direito de desistir em até 7 dias após o recebimento, segundo o artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor.

Pessoa física pode vender em marketplace?

Depende da plataforma e da categoria. Marketplaces de itens usados e alguns horizontais aceitam vendedores com CPF, enquanto outros exigem CNPJ. Para vender com frequência, formalizar o negócio costuma ser o caminho mais seguro.

Como criar o próprio marketplace?

Criar um marketplace exige uma plataforma que gerencie vários vendedores, divida os pagamentos entre eles e a plataforma e tenha regras claras de funcionamento. O maior desafio costuma ser atrair, ao mesmo tempo, vendedores e compradores suficientes para o negócio girar.

Facebook Marketplace é um marketplace?

Sim, no formato de classificados entre pessoas (C2C). A diferença é que, em muitos casos, a negociação, o pagamento e a entrega acontecem fora da plataforma, então os cuidados com segurança ficam por conta de quem compra e de quem vende.