
O que é marketplace: como funciona, tipos, vantagens e como vender
Veja como um marketplace funciona, quais são os tipos, os prós e contras de vender nele e por onde começar, inclusive com produtos digitais.

O que veremos nesse post:
Marketplace é uma plataforma digital em que diferentes vendedores oferecem seus produtos ou serviços para os mesmos compradores, enquanto a plataforma cuida da vitrine, do pagamento e das regras de funcionamento. Ele não é a loja virtual de uma única marca: quem vende paga para estar ali, geralmente com uma comissão por venda.
O modelo cresce junto com o comércio eletrônico. O e-commerce brasileiro faturou R$ 235,5 bilhões em 2025, alta de 15,3% em relação ao ano anterior, com 94,2 milhões de compradores, segundo a Abiacom, em dados divulgados pelo Mercado & Consumo.
E, no fim deste guia, a gente mostra que o conceito também vale para produtos digitais.
O que é marketplace?
A palavra marketplace vem da junção de dois termos em inglês, market (mercado) e place (lugar): é, literalmente, um lugar de mercado. O conceito é antigo e familiar, como uma feira, um mercado municipal ou um shopping, só que levado para o ambiente digital.
O papel central do marketplace é o de intermediário. No modelo puro, ele não precisa fabricar nem estocar o que vende: conecta quem quer vender a quem quer comprar e cobra pela intermediação. Isso explica por que virou uma das portas de entrada mais comuns para negócios online.
Como funciona um marketplace?
Um marketplace funciona a partir de três pilares: a plataforma, os vendedores e os clientes. Cada um tem um papel:
- a plataforma intermedia as transações, define as regras e oferece dois acessos, um para vendedores e outro para clientes;
- os vendedores (também chamados de sellers) cadastram produtos, preços e promoções e respondem pelas informações do que vendem;
- os clientes navegam em um catálogo muito maior do que o de uma loja comum, comparam preços e compram sem sair da plataforma.
Na prática, uma venda costuma seguir este caminho:
- o vendedor cadastra o produto na plataforma;
- o cliente encontra o produto por busca, categoria ou anúncio;
- o pagamento é feito dentro do marketplace;
- o produto é entregue pelo vendedor ou pela própria plataforma, conforme o modelo;
- a plataforma repassa o valor ao vendedor, descontando a comissão e as taxas.
A logística varia bastante. Em alguns marketplaces, cada vendedor envia seus pedidos; em outros, a plataforma oferece armazenagem e entrega como serviço. Para quem administra a plataforma, o trabalho envolve atrair compradores com anúncios e conteúdo, acompanhar métricas, garantir a qualidade dos vendedores e cuidar da fidelização dos clientes.
Marketplace x loja virtual própria: qual a diferença?
A loja virtual própria (o e-commerce da marca) vende só os produtos daquela empresa; o marketplace reúne vários vendedores na mesma plataforma. Um é como uma loja de rua; o outro, como um shopping.
| Critério | Loja virtual própria | Marketplace |
|---|---|---|
| Quem vende | Uma única marca | Vários vendedores |
| Catálogo | Só os produtos da marca | Produtos de muitas lojas |
| Visitantes | Precisa atrair por conta própria | A plataforma já tem público |
| Custos principais | Plataforma, site, marketing | Comissões e taxas por venda |
| Controle da marca | Total | Limitado às regras da plataforma |
| Relação com o cliente | Direta | Mediada pela plataforma |
No e-commerce, a relação é B2C (business to consumer), direto da empresa para o consumidor. No marketplace, é comum o modelo B2B2C: a empresa vende para o consumidor por meio de outra empresa, a dona da plataforma. Se você está decidindo entre os dois, veja como escolher uma plataforma de e-commerce.
Quais são os tipos de marketplace?
Os marketplaces podem ser classificados pelo público que atendem, pela variedade do catálogo e pelo tipo de oferta. Os três critérios se combinam: um marketplace pode ser B2C, horizontal e de produtos físicos ao mesmo tempo.
Por público
- B2C (empresa para consumidor): empresas vendem para pessoas físicas, o modelo mais comum no varejo online;
- B2B (empresa para empresa): empresas vendem para outras empresas, como fornecedores de insumos e equipamentos;
- C2C (consumidor para consumidor): pessoas físicas vendem entre si, como em plataformas de itens usados.
Por variedade do catálogo
- horizontal: reúne produtos de muitas categorias, de eletrônicos a roupas;
- vertical ou de nicho: foca em um segmento, como artesanato, moda, livros ou peças automotivas.
Por tipo de oferta
- produtos físicos, que exigem estoque e entrega;
- serviços, como transporte, hospedagem, delivery de comida e contratação de profissionais;
- produtos digitais, como cursos online, e-books e mentorias, entregues pela internet, sem estoque nem frete.
Vantagens e desvantagens de vender em marketplace
As principais vantagens do marketplace são visibilidade e baixo custo inicial para quem vende, e variedade e comodidade para quem compra; as desvantagens são as comissões, a concorrência por preço e a pouca fidelização à sua marca. Para pequenos e médios empreendedores digitais, é uma forma de ganhar espaço no mercado online sem montar tudo do zero.
Vantagens para quem vende
- acesso a um público que já frequenta a plataforma, sem precisar atrair cada visitante;
- credibilidade emprestada da marca do marketplace, o que ajuda na primeira compra;
- aproveitamento das ações de marketing digital feitas pela própria plataforma;
- baixo custo inicial, sem desenvolver site próprio nem sistema de pagamento;
- relatórios para acompanhar vendas e KPIs.
Vantagens para quem compra
- muitas opções em um só lugar, com comparação de preços, marcas e avaliações;
- pagamento centralizado e intermediado pela plataforma;
- possibilidade de comprar de vários vendedores em uma mesma visita.
Desvantagens e cuidados para quem vende
Vender em marketplace também tem custos e riscos. Os principais cuidados são:
- comissões e taxas, que podem comprometer o lucro se o preço não for bem calculado;
- concorrência direta com outros vendedores na mesma página, muitas vezes decidida pelo preço;
- pouca lembrança da sua marca, porque o cliente tende a lembrar que comprou “no marketplace”, e não em qual loja;
- dependência das regras, do algoritmo e das mudanças da plataforma;
- acesso limitado aos dados dos clientes, o que dificulta o relacionamento depois da venda;
- risco de concentrar todo o faturamento em um único canal.
Por isso, muitos negócios combinam o marketplace com canais próprios, como site, redes sociais e e-mail. Veja os principais canais de venda para montar essa combinação.
Quanto custa vender em um marketplace?
O custo de vender em um marketplace depende do modelo de cobrança de cada plataforma, que costuma combinar comissão por venda com outras taxas. Os modelos mais comuns são:
- comissão sobre cada venda, com percentual que varia por categoria de produto e tipo de anúncio;
- mensalidade ou plano de assinatura para ter mais recursos ou destaque;
- taxa fixa por item vendido, em geral para produtos de valor mais baixo;
- custos de frete e logística, quando a entrega passa pela plataforma;
- anúncios patrocinados dentro do marketplace, para aparecer nas primeiras posições.
Como esses valores mudam com frequência, confira sempre a página oficial do marketplace antes de entrar. E faça a conta da margem de cada produto já com todas as taxas: é comum descobrir que um item que parecia lucrativo mal se paga.
Como vender em um marketplace: passo a passo
Para vender em um marketplace, defina o que vender e onde, organize a parte fiscal, cadastre os produtos com um preço que cubra todas as taxas e cuide da reputação. Os três primeiros passos são os que mais evitam prejuízo: é ali que você decide o que vender, onde vender e se está tudo certo com a parte fiscal.
1. Defina o que vai vender e para quem
Escolha produtos com demanda e que você consiga entregar com qualidade. Pesquisar o que já vende bem na plataforma ajuda a entender preços, concorrência e o perfil de quem compra.
2. Escolha o marketplace certo
Compare público, categorias aceitas, custos e exigências de cada plataforma. Um marketplace de nicho pode trazer menos visitantes, mas compradores mais interessados no que você vende.
3. Organize a parte fiscal do negócio
Confira se o marketplace exige CNPJ e emissão de nota fiscal para a sua categoria. Estar formalizado também facilita receber pagamentos e crescer com segurança.
4. Cadastre os produtos com boas fotos e descrições
Títulos claros, fotos de qualidade e descrições completas ajudam o produto a aparecer nas buscas da plataforma e a convencer o cliente. Inclua medidas, materiais, prazos e tudo o que responde às dúvidas mais comuns.
5. Defina o preço considerando todas as taxas
Some custo do produto, comissão, taxas, frete e impostos antes de definir o preço. Assim, você evita vender muito e lucrar pouco.
6. Cuide do atendimento e da reputação
Responder rápido, cumprir prazos e resolver problemas melhora as avaliações, e boas avaliações aumentam as vendas. Em muitos marketplaces, a reputação também influencia a posição dos seus anúncios.
7. Acompanhe os resultados e divulgue
Use os relatórios da plataforma para ver o que vende mais e ajustar preços, anúncios e estoque. Divulgar seus anúncios nas redes sociais e combinar diferentes estratégias de vendas ajuda a não depender só do tráfego do marketplace.
Principais marketplaces do Brasil
Os principais marketplaces do Brasil, como Mercado Livre, Amazon, Shopee e Magalu, vendem produtos de várias categorias, mas o modelo também aparece em nichos, serviços e produtos digitais. Veja os mais conhecidos:
| Marketplace | Tipo | O que conecta |
|---|---|---|
| Mercado Livre | Horizontal, B2C e C2C | Vendedores e compradores de produtos de quase todas as categorias |
| Amazon | Horizontal, B2C | Loja própria e vendedores parceiros |
| Shopee | Horizontal, B2C e C2C | Vendedores de produtos variados, com foco em preço |
| Magalu | Horizontal, B2C | Loja própria e vendedores parceiros |
| Dafiti | Vertical (moda) | Marcas e lojas de moda e seus compradores |
| iFood | Serviços | Restaurantes, entregadores e clientes |
| Uber | Serviços | Motoristas e passageiros |
| Airbnb | Serviços | Anfitriões e hóspedes |
| Hotmart | Produtos digitais | Produtores, afiliados e compradores de cursos, e-books e mentorias |
Existe marketplace de produto digital?
Sim. O conceito de marketplace também vale para infoprodutos: um marketplace de produtos digitais reúne cursos online, e-books, mentorias e assinaturas em uma mesma vitrine, com entrega automática pela internet, sem estoque e sem frete.
O modelo combina bem com o mercado digital: o mesmo produto pode ser vendido muitas vezes, sem repor estoque a cada venda.
O Marketplace da Hotmart, plataforma all-in-one para creators que querem criar, vender e escalar produtos digitais, funciona assim: quem quer comprar encontra cursos, e-books, mentorias e outros produtos digitais, e quem quer ser afiliado encontra produtos para divulgar e ganhar comissões. Na prática, ele conecta três perfis:
- produtores, que cadastram seus produtos, definem preço e comissão e usam a estrutura da plataforma para vender, receber e entregar o conteúdo;
- afiliados, que escolhem produtos na vitrine para divulgar e recebem comissão por venda, usando indicadores como a temperatura, que mostra quais produtos estão vendendo bem;
- compradores, que encontram produtos por categoria, pagam no checkout e acessam o conteúdo na área de membros.
Uma diferença importante em relação aos marketplaces de produtos físicos é o modelo de cobrança: não há mensalidade nem taxa para cadastrar o produto, e a Hotmart cobra uma taxa apenas quando a venda acontece. Para quem quer começar divulgando produtos de outras pessoas, veja como escolher um bom produto para se afiliar.
Comece a vender pela internet
O marketplace é um jeito prático de começar a vender online: a plataforma já tem público e estrutura, e você se concentra no produto e no atendimento. O cuidado está em escolher o canal certo, fazer as contas com todas as taxas e não colocar todas as vendas em um lugar só.
Se você tem conhecimento para compartilhar, pode vender pela internet sem estoque nem frete. Na Hotmart, você cria sua conta grátis e coloca seu produto digital na vitrine. Criar minha conta grátis.
É seguro comprar em marketplace?
Em geral, sim, desde que você confira a reputação do vendedor, leia as avaliações e pague sempre pela própria plataforma. Nas compras pela internet, o consumidor tem direito de desistir em até 7 dias após o recebimento, segundo o artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor.
Pessoa física pode vender em marketplace?
Depende da plataforma e da categoria. Marketplaces de itens usados e alguns horizontais aceitam vendedores com CPF, enquanto outros exigem CNPJ. Para vender com frequência, formalizar o negócio costuma ser o caminho mais seguro.
Como criar o próprio marketplace?
Criar um marketplace exige uma plataforma que gerencie vários vendedores, divida os pagamentos entre eles e a plataforma e tenha regras claras de funcionamento. O maior desafio costuma ser atrair, ao mesmo tempo, vendedores e compradores suficientes para o negócio girar.
Facebook Marketplace é um marketplace?
Sim, no formato de classificados entre pessoas (C2C). A diferença é que, em muitos casos, a negociação, o pagamento e a entrega acontecem fora da plataforma, então os cuidados com segurança ficam por conta de quem compra e de quem vende.


